Asif Hassan/AFP
Asif Hassan/AFP

Paquistão retoma pena de morte depois de ataque taleban a escola

Execuções por casos de terrorismo estão suspensas desde 2008; país dá início aos três dias de luto pela morte de 141 pessoas

O Estado de S. Paulo

17 de dezembro de 2014 | 08h43

ISLAMABAD - O primeiro-ministro do Paquistão suspendeu nesta quarta-feira uma moratória sobre a pena de morte, um dia depois do ataque do Taleban a uma escola, que matou 132 alunos e 9 professores, disse um porta-voz do governo.

O país começou nesta quarta os três dias de luto pela morte das 141 pessoas no ataque à escola na cidade de Peshawar, ao norte. O ataque à escola administrada por militares, onde estudavam mais de 1.100 alunos, muitos deles filhos de membros do Exército, atingiu o coração da sociedade militar do Paquistão.

A tragédia deixou o país em choque e aumentou a pressão sobre o governo para que se mobilize contra a insurgência do Taliban no Paquistão.

"Foi decidido que esta moratória deve ser suspensa. O primeiro-ministro aprovou", disse o porta-voz do governo Mohiuddin Wan, referindo-se à aprovação dada pelo primeiro-ministro, Nawaz Sharif, à decisão do comitê ministerial.

A moratória sobre a pena de morte foi imposta em 2008 e somente uma pessoa foi executada desde então.

Acredita-se que há mais de 8 mil presos condenados à pena de morte no Paquistão, cerca de 10% por delitos considerados como "terrorismo", disse um grupo de ajuda paquistanês, o Justice Project Pakistan.

"Terrorismo" tem uma definição muito ampla na lei paquistanesa. Cerca de 17 mil casos de "terrorismo" estão esperando julgamento em tribunais especiais do país.

Um relatório do Justice Pakistan Project divulgado na quarta diz que aqueles que são condenados por terrorismo são com frequência torturados para confessar e têm negado o direito a um advogado, e que as recentes ações de repressão não tem sido bem-sucedidas em impedir ataque militantes.

"Parte dos réus cujos crimes não têm nenhuma relação com terrorismo foram condenados a morte em seguida a julgamentos extremamente injustos --enquanto isso, ataques terroristas continuam incessantes", disse o grupo.

Tudo o que sabemos sobre:
PaquistãoTaleban

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.