Paquistão se diz 'preocupado' com incursões da Otan

O Paquistão disse na sexta-feira que um avião da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) atacou um de seus postos militares no noroeste do país, próximo da fronteira afegã, e expressou sua séria preocupação à embaixada dos Estados Unidos.

ZEESHAN HAIDER, REUTERS

17 de junho de 2011 | 17h11

O incidente na região tribal de Mohmand acontece no momento em que a relação entre EUA e seu aliado está em baixa depois da ação que matou Osama Bin Laden na cidade paquistanesa de Abbottabad em maio.

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão disse que um caça da Otan invadiu o território paquistanês em 2,5 quilômetros e atacou um posto militar. Em nota, disse que o Paquistão demonstrou à embaixada dos EUA sua "séria preocupação".

"Um inquérito conjunto também foi pedido", disse a nota, sem especificar quando o incidente ocorreu. Autoridades locais em Mohmand disseram que aconteceu no começo da sexta-feira e que algumas bombas foram jogadas, mas não houve vítimas.

O Paquistão é crucial para os EUA e seus esforços para estabilizar um Afeganistão destruído por guerras, mas a relação está muito prejudicada desde a morte do líder da Al Qaeda. Os EUA não informaram Islamabad sobre o ataque até que ele tivesse terminado, humilhando as forças armadas do Paquistão.

Forças dos EUA também aumentaram os ataques contra militantes feitos por aviões não-tripulados, os drones, no cinto tribal sem lei do Paquistão, na fronteira com o Afeganistão, chamado de reduto global de militantes. Cerca de 66 deles foram mortos nesse tipo de ataques neste mês.

O Exército paquistanês, por outro lado, reduziu muito o número de soldados dos EUA autorizados a atuar no país e criou limites claros no compartilhamento de inteligência com os norte-americanos.

O Exército do país asiático também refutou, na sexta-feira, as acusações de que teria avisado insurgentes em fábricas de bombas depois de terem obtido informações da inteligência norte-americana sobre esses locais na região tribal.

"Esta alegação é totalmente falsa e maliciosa. E os fatos são contrários a ela", disseram militares em nota.

Os militares disseram que receberam informações sobre quatro fábricas de bombas no Waziristão, o principal berço de Al Qaeda e Taliban.

Ainda que duas delas tenham sido destruídas, a informação sobre as outras duas era "incorreta." "Algumas pessoas foram presas e estão sob investigação."

Separadamente, o Paquistão convocou o embaixador do Afeganistão em Islamabad no Ministério das Relações Exteriores e apresentou um protesto sobre um ataque que atravessou fronteiras feito por "100 a 150 terroristas" em três vilarejos na fronteira em Bajaur na quinta-feira.

Autoridades paquistanesas em Bajaur afirmaram que seis civis foram mortos, no segundo ataque além das fronteiras reportado pelo Paquistão neste mês.

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