Paquistão tem mais desabrigados e tenta salvar sua economia

O Paquistão retirou na quinta-feira mais moradores das suas casas na província do Sindh, enquanto tenta ajudar milhões de desabrigados pelas inundações e obter auxílio econômico internacional.

ROBERT BIRSEL E LESLEY WROUGHTON, REUTERS

26 de agosto de 2010 | 17h46

Shahdadkot, no norte da região do Sindh, que tinha cerca de 300 mil habitantes, terá de ser completamente desocupada devido à aproximação das águas. Milhares de moradores já haviam partido.

"Shahdadkot está certamente em perigo", disse Ahmed Soomro, comissário de ajuda humanitária para o Sindh. "As pessoas haviam sido orientadas a abandonar, mas é uma localidade muito grande. As pessoas haviam construído uma represa artificial, mas a pressão está subindo."

Rio abaixo, em Thatta, as cidades de Sujawal, Daro e Mirpur Batoro, com uma população combinada de 400 mil pessoas, também foram desocupadas por causa da cheia no rio Indo, que rompeu um dique na manhã de quinta-feira. Várias localidades no delta do Indo continuam ameaçadas.

As águas estão começando a ceder em todo o país, após cerca de um mês de enchentes, mas a previsão de mais chuvas e a maré alta no mar Arábico fazem com que a região continue ameaçada de inundações.

O Exército alertou que a dificuldade de chegar a algumas áreas, onde 800 mil pessoas estão ilhadas, pode gerar turbulências sociais. "Se a ajuda não chegar a certas áreas, aí sim, as pessoas vão ficar inquietas", disse o general Athar Abbas.

O governo do presidente Asif Ali Zardari, que já era bastante impopular, tem sido muito criticado por sua suposta incapacidade de reação frente às piores inundações no país em várias décadas.

Os Estados Unidos e o governo local alertam que entidades islâmicas podem tentar tirar proveito da situação para recrutar seguidores de grupos militantes.

As enchentes atingiram pelo menos 3,2 milhões de hectares de lavouras -- cerca de 14 por cento da área cultivada total do país -- segundo a FAO (agência da ONU para alimentação e agricultura). O custo total do prejuízo agrícola é estimado em 2,86 bilhões de dólares.

Segundo o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, 60 por cento (274,7 de 459,7 milhões de dólares) da ajuda humanitária emergencial solicitada já foram entregues pela comunidade internacional.

(Reportagem adicional de Augustine Anthony, Kamran Haider, Zeeshan Haider e Rebecca Conway, em Islamabad; de Faisal Aziz e Sahar Ahmed, em Karachi; e de Robert Birsel, em Sukkur)

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