Paquistão terá eleição até 15 de fevereiro, diz Musharraf

O presidente do Paquistão, PervezMusharraf, anunciou nesta quinta-feira que o país terá eleiçõesantes de 15 de fevereiro, cedendo aos apelos de seusadversários e da oposição. "Não tenho dúvida de que as eleições devem ser realizadasno prazo, assim que possível", disse Musharraf à imprensaestatal, depois de presidir uma reunião do Conselho deSegurança Nacional. "Foi meu compromisso e estou cumprindo-o." O general Musharraf, que assumiu o poder num golpe semviolência em 1999, acrescentou que vai deixar a farda e tomarposse como presidente civil assim que a Suprema Corte decidirque ele podia concorrer à reeleição, no mês passado, ainda comocomandante do Exército. O anúncio serve para atenuar as críticas do principalaliado de Musharraf no mundo, os Estados Unidos. "Achamos bomque o presidente Musharraf tenha esclarecido a data da eleiçãopara o povo paquistanês", disse a porta-voz da Casa Branca DanaPerino. Muitos paquistaneses continuaram céticos. "Não confio nele.Governantes militares no Paquistão nunca cumprem suaspromessas", disse o professor aposentado Nighat Anis, emIslamabad. "É a nossa história. Sempre somos enganados." Ainda não se sabe se Musharraf terá como controlar oseventos desencadeados por suas decisões, no sábado passado, dedeclarar estado de emergência, suspender a Constituição,demitir a maioria dos juízes e prender vários líderes daoposição. A líder oposicionista Benazir Bhutto, que desafiou ogoverno ameaçando convocar manifestações nas ruas, disse queMusharraf ainda precisa anunciar mais medidas. "Não queremos declarações vagas e generalistas. Queremosrespostas diretas", afirmou ela em entrevista coletiva. Segundo Bhutto, o presidente deveria soltar juízes detidose permitir que "a verdadeira Suprema Corte" decida sobre osrecursos contra sua reeleição. "Vamos aceitar a decisão daquela Suprema Corte, que seráconstitucional e incluirá os juízes detidos", afirmou. Iftikhar Chaudhry, que foi afastado do cargo de presidenteda Suprema Corte, permanece incomunicável em sua residência, emIslamabad, e vários outros juízes que julgavam os recursosestão sob prisão domiciliar. A maioria dos paquistaneses acha que o principal motivopara Musharraf ter declarado estado de emergência era evitaruma possível sentença negativa da Suprema Corte. Os advogados do país têm liderado os protestos e estãoboicotando os tribunais, onde houve duas manifestaçõesestudantis.

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