Paquistão teria 'resposta militar' a ataque da Índia

O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, disse à embaixadora dos Estados Unidos no Paquistão, Anne Patterson, que ele não teria escolha a não ser uma "resposta militar" no caso de um ataque da Índia no começo de 2009. A informação foi revelada hoje por um telegrama diplomático americano publicado pelo website WikiLeaks.

ANDRÉ LACHINI, Agência Estado

05 de dezembro de 2010 | 17h04

O presidente paquistanês teve uma reunião com Patterson em 2 de janeiro de 2009, logo após os ataques terroristas contra Mumbai, Índia, os quais foram desfechados entre 26 e 29 de novembro de 2008 por extremistas originários do Paquistão e deixaram 166 mortos. O documento publicado pelo WikiLeaks é datado de 9 de janeiro de 2009.

Na conversa, Zardari disse a Patterson que ele e o general Kayani, comandante do exército paquistanês, estavam "totalmente comprometidos" em construir melhores relações com a Índia. Paquistão e Índia já se enfrentaram em três guerras (1947, 1965 e 1971) e ambos possuem armas nucleares.

Os ataques a Mumbai foram atribuídos a extremistas do grupo paquistanês Lashkar-e-Taiba. "Zardari confirmou novamente, no fim da conversa, que ele não deixará que atores não estatais ditem a política de Estado, mas que o Paquistão responderia se os indianos atacassem", diz um trecho do telegrama.

"Ele recomendou um relatório feito na Índia, o qual indicava que os muçulmanos indianos sofrem maus tratos e estão entre as pessoas menos prósperas da sociedade. Ele disse que o Partido Bharatiya Janata (BJP, na sigla em inglês, um partido hindu nacionalista) estava tentando insuflar o sentimento anti-islâmico. Mais ainda, existiam vários grupos extremistas na Índia que poderia ter ajudado o Lashkar-e-Taiba".

Zardari também disse a Patterson que o Paquistão não era contrário ao acordo nuclear civil entre Estados Unidos e a Índia, e afirmou que a inteligência paquistanesa liberou informações para os indianos, que na época começavam a investigar os ataques a Mumbai.

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