Paquistão vai enfrentar Índia, diz Musharraf

Em meio à fuga em massa dos habitantes da fronteira entre Índia e Paquistão por temor a possíveis ataques, o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, após reunir-se com a cúpula política do país, declarou neste domingo que o Paquistão deseja a paz com a Índia, mas está preparado para a guerra. Os dois países dispõem de mísseis de médio alcance e armas nucleares em seus arsenais."O Paquistão adotou as medidas necessárias", insistiu o general Musharraf. "Nossas forças armadas e nossos 156 milhões de habitantes estão preparados para enfrentar todas as conseqüências."A atual crise começou depois do ataque do último dia 13 ao Parlamento indiano, que deixou 14 mortos e 17 feridos. A Índia acusou o Paquistão de dar cobertura aos separatistas da Caxemira indiana responsáveis pela agressão.Os dois países já travaram três guerras desde sua independência, em 1947 - duas pela disputa da Caxemira indiana.Funcionários do governo paquistanês ouvidos pela BBC (de Londres) acreditam ser iminente um ataque indiano. Porta-vozes militares indianos acusaram neste domingo forças paquistanesas de dispararem granadas de morteiro contra postos militares fronteiriços indianos. Cerca de 60 mil pessoas foram removidas de povoados indianos ao longo das fronteiras nos últimos dias.Neste sábado, o primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, recebeu apoio de todos os partidos, incluindo os de oposição, no caso de um ataque ao Paquistão. Ele disse aos líderes políticos que pretende desencadear uma ofensiva diplomática no exterior para obter apoio da comunidade internacional à causa indiana e fazer o Paquistão retroceder.A Índia exige de Islamabad medidas concretas para aniquilar os grupos separatistas que têm suas bases na Caxemira paquistanesa, a prisão de seus líderes e o congelamento de seus fundos. Vajpayee rejeitou na semana passada a proposta de diálogo de Musharraf.Os Estados Unidos exigiram prudência dos dois governos. O presidente George W. Bush reiterou pedido ao colega paquistanês para que reprima com rigor os grupos terroristas. E enviou mensagem a Vajpayee, reafirmando que os EUA "estão determinados a cooperar com a Índia no combate ao terrorismo".

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