Bloomberg photo by Andrew Harrer
Bloomberg photo by Andrew Harrer

Para imprensa russa, McCain foi um 'líder russófobo'

Tabloide popular escreve ter a esperança de que a alma do republicano esteja agora 'queimando' onde estiver

O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2018 | 19h28

MOSCOU - Diferentemente da série de homenagens internacionais prestadas a John McCain, a mídia russa pró-Kremlin não economizou nas críticas e condenações ao senador que morreu no sábado, 25, a quem se referiu como "líder russófobo". 

McCain, que morreu aos 81 anos, irritou a Rússia com seu apoio a líderes pró-Ocidente da ex-União Soviética da  Geórgia e da Ucrânia, bem como seu forte apoio às sanções contra a anexação da Crimeia por Moscou.  "McCain tornou-se o símbolo da Russofobia", disse a televisão Rossiya 1, acrescentando que o senador não "aguentava a posição independente da Rússia em política externa". 

O tabloide Komsomolskaya Pravda foi além em um agressivo editorial. "McCain adorava a guerra. Se você não morreu ainda, não é culpa do McCain. Ele tentou", escreveu o jornal pró-Kremlin. 

Acusando o senador de ter mentido sobre ter sido torturado nos seus anos de cativeiro na Guerra do Vietnã, o tabloide popular concluiu dizendo ter a esperança de que a alma de McCain esteja agora "queimando" onde estiver. 

"O senador McCain amava as chamas da guerra. Vamos acreditar que ele terá chamas suficiente onde sua alma está descansando agora", escreveu. 

O site do tabloide Life News, também pró-Kremlin, ironizou o "chefe russófobo" por sua decisão de publicar, em 2013, um artigo de opinião em um site obscuro chamado Pravda.ru. Segundo o site, McCain aparentemente acreditou que o site estava ligado ao poderoso jornal soviético Pravda

"Evidentemente, ninguém disse ao senador que algumas coisas mudaram na Rússia desde sua época em cativeiro no Vietnã", escreveu. 

Em uma reportagem de cerca de 40 minutos sobre a vida do senador no seu principal programa de domingo à noite, o canal Rossiya 1, que se referia a McCain como um "falcão convencido", afirmando que ele apoiou todas as operações militares e guerras que os EUA tiveram nos últimos anos: Kosovo, Iraque, Líbia. "Se ele não tivesse perdido duas campanhas presidenciais, tudo teria sido ainda mais catastrófico", afirmou. 

O programa lembrou do detalhe que o avião de McCain foi derrubado no Vietnã por um complexo de mísseis soviéticos SA 75-Dvina. / AFP 

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