AFP PHOTO / POLICE NATIONALE
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Para advogado, suspeito de ataques em Paris ‘vale seu peso em ouro’

Investigador francês afirma que Salah Abdeslam admitiu que pretendia se explodir no Stade de France, mas não o fez. Bélgica segue em estado de alerta elevado para um possível ataque retaliatório

O Estado de S. Paulo

21 de março de 2016 | 11h57

BRUXELAS - O único suspeito de participar dos ataques de 13 de novembro em Paris capturado vivo está cooperando com os investigadores da polícia e "vale seu peso em ouro", disse o advogado dele nesta segunda-feira, 21.

O ministro do Interior da Bélgica, Jan Jambon, afirmou que o país está em estado de alerta elevado para um possível ataque retaliatório desde a captura de Salah Abdeslam, de 26 anos, em um apartamento em Bruxelas na sexta-feira.

"Sabemos que fechar uma célula pode levar outras a entrarem em ação. Estamos cientes disso neste caso", disse o ministro em entrevista a uma rádio pública.

No sábado, o investigador francês François Molins disse em uma coletiva de imprensa em Paris que Abdeslam admitiu aos investigadores que pretendia se explodir, assim como outros, no Stade de France, o estádio nacional da França, na noite do ataque reivindicado pelo Estado Islâmico, mas que depois mudou de ideia.

Sven Mary, advogado de Abdeslam, disse que processará Molins por divulgar o comentário, e qualificou a ação como uma violação de confidencialidade judicial. Ele afirmou que agora Abdeslam está cooperando plenamente com os investigadores.

"Acho que Salah Abdeslam é de importância crucial para esta investigação. Diria até que ele vale seu peso em ouro. Ele está colaborando. Está se comunicando. Não está recorrendo a seu direito de ficar em silêncio", afirmou Mary à rede pública belga RTBF.

Planos. O ministro das Relações Exteriores da Bélgica, Didier Reynders, disse no domingo que Abdeslam estava "pronto para voltar a preparar algo em Bruxelas".

"Os primeiros depoimentos de Salah Abdeslam foram que ele queria ir ao Stade de France, que ia começar as explosões, mas que se conteve. Não sabemos por que, mas se conteve. A informação seguinte é que ele estava pronto para voltar a preparar algo em Bruxelas", disse o ministro sobre as primeiras declarações de Abdeslam após sua detenção.

"Encontramos muitas armas, armas pesadas, nas primeiras investigações e descobrimos uma nova rede ao redor de Bruxelas", disse.

Reynders lembrou as declarações que fez após os ataques em Paris a uma rede de TV americana, nas quais revelou que a Bélgica procurava cerca de 10 pessoas armadas, e indicou que desde novembro foram localizadas "muitas outras, não só na Bélgica, mas também na França".

"Temos certeza de que, por enquanto, encontramos mais de 30 pessoas envolvidas nos ataques terroristas de Paris, mas estamos convencidos de que existem outras", acrescentou. /REUTERS e EFE

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