Para advogado, crise de Pinochet é ´estratégia de defesa´

O advogado de direitos humanos Hiram Villagra expressou suas suspeitas sobre o grave estado de saúde do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, que sofreu um ataque cardíaco na madrugada deste domingo e foi internado às pressas no Hospital Militar de Santiago, no Chile. "Honestamente, espero que ele não morra, e tenho sérias suspeitas de que essa situação está sendo demasiadamente simulada como parte de uma estratégia de defesa", disse o advogado, de acordo com o jornal chileno La Tercera.Villagra, que é o querelante no caso "Caravana da Morte" - grupo militar que na década de 70 executou 75 presos políticos em sua passagem por várias cidades do Chile - acredita que, independentemente da crise de saúde de Pinochet, em breve os defensores do ex-ditador tentarão obter sua liberdade provisória. O advogado disse que tem essa suspeita porque a única fonte que oficializou a gravidade da situação do ex-comandante e chefe do Exército foi o Hospital Militar, o que leva a crer que poderia ser uma "montagem para evitar que os processos judiciais sigam em curso". Ele disse ainda que essa é uma prática sistemática de Pinochet. "Sempre que há uma resolução importante, ele sofre uma crise de saúde", concluiu.De acordo com o La Tercera, Pinochet ainda está sendo submetido, no início da noite deste domingo, a uma intervenção que vai determinar a forma como está evoluindo a angioplastia que realizou pela manhã. A partir dos resultados dos exames, diz o veículo, "segundo informações extra-oficiais", será tomada uma decisão a respeito do que procedimento que deverá ser aplicado.O porta-voz da família Pinochet, Guillermo Garín, afirmou que Pinochet já recebeu a unção dos enfermos - sacramento reservado a quem está perto de morrer. Prisão domiciliarEm 27 de novembro, o juiz Víctor Montiglio ordenou a detenção de Pinochet pelo seqüestro e homicídio de Wagner Salinas e Francisco Lara, dois dissidentes detidos e executados no fim de setembro de 1973 por membros da "Caravana da Morte".Depois disso, Pinochet divulgou uma carta pública, lida por sua esposa, em que assumia a "responsabilidade política" de seus atos, mas na qual reiterava que tudo o que fez foi "por amor à pátria".

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