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Para África do Sul, assassinato de líder radical não afetará a Copa

Morte de líder pró-apartheid reacende tensões raciais no país sede do Mundial

Efe

06 de abril de 2010 | 09h59

PRETÓRIA - O Instituto Sul-Africano de Relações Raciais descartou que a escalada de tensões raciais que vivem esses dias a África do Sul por causa do assassinato do dirigente ultraconservador Eugene Terre'blanche vá afetar a Copa do Mundo.

"Não há nenhuma razão para que essas coisas, por mais trágicas que sejam, afetem a segurança dos torcedores ou dos jogadores durante a Copa", disse Lawrence Sclemmer, vice-presidente da instituição, citado hoje pela imprensa local.

"A Copa e o esporte, como se supõe, canalizam paixões e reconciliam", acrescentou Sclemmer, apelando mais uma vez para a suposta capacidade do esporte para cicatrizar feridas profundas.

A África do Sul viveu um tenso final de semana depois que dois jovens negros assassinaram violentamente no sábado Eugene Terre'blanche, dirigente do partido ultraconservador e racista AWB (Movimento de Resistência Africâner).

O governo e o principal partido da oposição tiveram que pedir calma depois que os seguidores de Terre'blanche asseguraram que vingariam o assassinato de seu correligionário, mas depois asseguraram que não tomarão nenhuma medida violenta.

Várias pessoas vinculam o assassinato de Terre'blanche com a canção "Matar os Boêres", muito popular durante o apartheid e proibida hoje, mas que nas últimas semanas voltou a ganhar força.

"Desde o fim da década de 1950 houve prognósticos de guerra racial na África do Sul", disse o ministro da Polícia, Nathui Mthethwa. Ele definiu hoje o ocorrido como "um incidente isolado" e assegurou que não há razão para que os turistas estejam preocupados.

O Comitê Organizador da Copa, por sua vez, não quis se pronunciar sobre um assunto que considera político.

Faltam 65 dias para o início da Copa do Mundo de 2010. A África do Sul está sendo observada atentamente por causa do assassinato de Terre'blanche, embora aparentemente insuficientes para pôr em xeque a Copa, não ajudam a melhorar a imagem do país, deteriorada pela violência.

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