Para amenizar derrota, Obama pede a democratas que compareçam às urnas

Para amenizar derrota, Obama pede a democratas que compareçam às urnas

Presidente mantém a esperança de - com uma abstenção menor dos eleitores de seu partido - preservar pelo menos o controle do Senado nas eleições de meio de mandato de hoje; pesquisas indicam, porém, que republicanos terão controle total do Legislativo

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2014 | 02h00

O Partido Democrata mobilizou todos os seus esforços nos últimos dias para convencer seus potenciais eleitores a sair de casa para votar, na esperança de evitar uma derrota para a oposição republicana na disputa pelo controle do Senado na votação legislativa de hoje, nos EUA. "Se você quer algo melhor, tem de votar por isso", disse o presidente Barack Obama, no domingo, em um comício de campanha em Detroit.

Diante de pesquisas que indicam o fortalecimento de candidaturas de oposição nos Estados americanos nos quais a disputa está mais acirrada, o aumento da participação eleitoral é a principal arma dos democratas em sua tentativa de pelo menos manter o controle do Senado.

A eventual derrota deixaria Obama com um Congresso de oposição em seus dois últimos anos de mandato, o que poderia dificultar ainda mais a aprovação de sua agenda legislativa. Os republicanos já controlam a Câmara dos Deputados e têm chance de aumentar sua vantagem na Casa - atualmente, eles têm 233 das 435 cadeiras.

Previsão do jornal The Washington Post aponta para uma probabilidade de 96% de vitória da oposição no Senado. Nos cálculos do New York Times, as chances dos republicanos são de 68%.

As chamadas eleições de meio de mandato têm participação mais baixa que a registrada nos anos de disputa presidencial. Na última delas, em 2010, 42% dos americanos em idade eleitoral registraram seu voto, o equivalente a 91 milhões de pessoas em um universo de 218 milhões potenciais eleitores. A previsão é que o número se repita na disputa atual.

Participação. Tradicionalmente, os conservadores tendem a registrar taxas de participação mais elevadas que os liberais nesse tipo de eleição, o que favorece o Partido Republicano. O desafio dos militantes democratas é convencer jovens, negros, hispânicos e pobres a depositarem seus votos nas urnas hoje.

O viés pró-republicano das eleições de meio de mandato começou a diminuir na disputa de 2010, sob o impacto da vitória de Obama em 2008 e dos bem-sucedidos esforços do Partido Democrata para mobilizar seus seguidores.

A disputa de quatro anos atrás foi a mais diversa etnicamente da história desse tipo de eleição, segundo análise do Pew Research Center. A participação entre os eleitores negros passou de 41,3% em 2006 para 44% na disputa de 2010, mas continuou inferior à registrada entre os brancos, que caiu de 51,6% para 48,6% no mesmo período.

A grande decepção para os democratas foi a apatia dos hispânicos, cuja participação caiu de 32% para 31% no período de quatro anos. Em números absolutos, os brancos registraram 74,4 milhões eleitores na última eleição de meio de mandato, seguidos de 10,9 milhões de negros, 6,6 milhões de hispânicos e de 2,3 milhões de asiáticos.

O índice de participação nas eleições também é influenciado pela idade, formação escolar e renda. Um dos maiores desafios do Partido Democrata é convencer os jovens a votar. Na eleição de 2010, apenas 24% das pessoas de 18 a 29 anos escolheram candidatos. Na faixa superior a 30 anos, a participação foi de 51%.

A abstenção é maior entre os mais pobres do que entre os mais ricos. Dados da organização NonprofitVote mostram que 60% dos eleitores que ganham mais de US$ 75 mil por ano votaram em 2010. Entre os que possuem renda inferior a US$ 50 mil ao ano, a participação foi de 40%.

A educação é outro fator que define o engajamento eleitoral. Há quatro anos, 61% dos eleitores com formação universitária registraram seus votos. O índice foi de apenas 35% entre os que têm até o segundo grau completo.

Os republicanos precisam de um ganho líquido de seis cadeiras para obter a maioria no Senado, onde possuem atualmente 45 das 100 cadeiras. A disputa está acirrada em quase dez Estados, mas pesquisas de opinião recentes mostram o fortalecimento do Partido Republicano.

A oposição é favorecida pela baixa popularidade de Obama e pela sensação de insegurança provocada pelo avanço do Estado Islâmico no Oriente Médio e a chegada do Ebola ao país - os republicanos acusam Obama de lentidão e falta de liderança. Pesquisas apontam que 49% dos americanos acompanham as notícias sobre a doença com muita atenção.

Economia. O fortalecimento da economia parece não ter sido suficiente para impulsionar as candidaturas democratas. O país cresceu a uma taxa anualizada de 3,5% no terceiro trimestre, depois de registrar um índice de 4,6% no período anterior. Apesar de o desemprego ter caído para 5,9%, a renda dos americanos continua estancada e existe a percepção de que os novos postos de trabalho são mais precários e de pior qualidade que os existentes antes da crise de 2008.

Além de eleger os 435 membros da Câmara dos Deputados e 34 dos 100 senadores, os americanos vão eleger 36 governadores. A disputa para o Senado é extremamente acirrada e existe a possibilidade de a definição sobre o controle da Casa só ocorrer no início de 2015. Simultaneamente, serão feitos mais de 150 referendos sobre temas como aborto e legalização da maconha.

Se nenhum dos candidatos obtiver 50% dos votos mais um nos Estados da Louisiana e Geórgia, haverá um segundo turno nos dias 6 de dezembro e 6 de janeiro, respectivamente.

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