Para Amorim, ação do governo hondurenho é 'condenável'

O ministro da Relações Exteriores, Celso Amorim, considerou "extremamente grave" a suspensão do fornecimento de água, luz e telefone na Embaixada do Brasil hoje de manhã, em Honduras, assim como o lançamento de bombas de gás lacrimogêneo nas imediações da representação brasileira.

NALU FERNANDES, Agencia Estado

22 de setembro de 2009 | 16h35

"Estamos lidando com um governo peculiar, pois este governo não é reconhecido pela comunidade internacional", disse. Amorim qualificou de "condenável" a ação do governo de Honduras, mas ressalvou que não se chegou a extremos. Segundo ele, a informação é de que o corte dos serviços básicos atingiu outras embaixadas além da brasileira e que teria sido uma medida para dispersar manifestantes.

Celso Amorim disse que o fornecimento dos serviços públicos já foram restaurados e que o fornecimento de alimentos tem sido controlado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Segurança

Amorim reclamou de uma bomba de gás lacrimogêneo atirada nas imediações da embaixada brasileira. "A primeira preocupação é com a segurança, não só de Zelaya (Manuel Zelaya, presidente deposto de Honduras), mas também das pessoas que estão na embaixada", disse Amorim.

Durante entrevista coletiva em Nova York, Amorim evitou o tempo todo usar a expressão "embaixada cercada" para referir-se aos acontecimentos em Tegucigalpa. Disse também que a Embaixada dos EUA se ofereceu para levar as mulheres que se encontravam na representação brasileira para suas casas. Há cerca de 60 a 80 pessoas na Embaixada do Brasil, estimou Amorim, incluindo crianças.

"Não vemos inconveniente em que ele (Zelaya) receba pessoas ou comissões, mas se o número for muito grande não será muito positivo." A ideia, segundo o chanceler brasileiro, é de que a Cruz Vermelha retire as pessoas e as leve para um lugar seguro.

Amorim disse que qualquer ação que violasse a embaixada brasileira seria "intolerável", mas ele não acredita que isso possa ocorrer. "Nem os regimes mais ditatoriais do mundo atacaram embaixadas. Se isso acontecesse, seria prova de selvageria em termos internacionais. E esse governo não vai fazer isso."

O ministro disse ainda que o governo brasileiro mantém contato com outros países que dialogam com o governo de facto de Honduras - o Brasil não reconhece o governo que depôs Zelaya. Sobre o pedido do governo hondurenho para que o Brasil entregasse Zelaya às "autoridades competentes", Amorim considerou como "totalmente impertinente". O ministro brasileiro disse também ter falado com Zelaya por telefone e pedido a ele que não pronunciasse a palavra "morte" sob qualquer circunstância, nem mesmo como força de retórica.

Estados Unidos

Amorim contou ainda ter recebido um telefonema da Secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. "Ela me ligou e comentamos a situação. Concordamos na busca para uma solução moderada, pacífica e pelo diálogo, sem que haja subtração dos diretos dele (Zelaya)", disse Amorim.

O chanceler informou que o presidente do conselho da OEA, Pedro Oyarce, fará uma declaração sobre Honduras e sobre a necessidade de se manter a inviolabilidade das embaixadas diplomáticas.

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