Para Amorim, só Minustah deve continuar após crise

A Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), liderada pelo Brasil, deve ser a única força estrangeira no país caribenho, assim que for superada a crise. A afirmação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, em entrevista divulgada no site do jornal espanhol El País nesta quarta-feira.

AE, Agencia Estado

17 de fevereiro de 2010 | 12h02

Amorim ressaltou, porém, que "não é uma concorrência" por espaço o que ocorre no Haiti atualmente. Logo após o violento terremoto do dia 12 de janeiro, milhares de marines norte-americanos foram enviados ao país, para auxiliar no esforço humanitário. "Seria um erro pensar que os EUA estão resolvendo a crise no Haiti. As forças norte-americanas estão ajudando ante uma emergência, como todos."

O ministro defendeu também a atuação brasileira na crise em Honduras, após o golpe de Estado que derrubou o presidente Manuel Zelaya, em 28 de junho passado. Segundo Amorim, a diplomacia brasileira fez "o que nos parecia que devia ser feito, em linha com as decisões da OEA (Organização dos Estados Americanos)". Zelaya foi expulso do país, mas retornou e ficou durante meses abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa, até um acordo permitir sua saída para o exterior.

Questionado sobre se o Brasil reconhece o novo presidente de Honduras, Porfirio Lobo, Amorim disse que "o Brasil não reconhece governos, mas sim Estados". Após ressaltar a gravidade do golpe, o ministro notou que o processo de reconciliação hondurenho não está encerrado e defendeu que "Zelaya possa voltar a participar na vida política em seu país".

Amorim disse esperar que, até maio, o Mercosul e a União Europeia tenham as bases para um acordo comercial, com "cifras e inclusive detalhes em algumas áreas". Ele citou algumas divergências entre os dois lados, como os subsídios agrícolas europeus, mas lembrou que essa questão deve ser resolvida no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O ministro brasileiro foi ainda questionado sobre o papel do Brasil na mediação na crise nuclear iraniana. O governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad tem sido pressionado por potências mundiais a interromper seu programa nuclear, mas rejeita as propostas e afirma que seu programa é totalmente pacífico.

Amorim lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará a Teerã em 15 de maio. "Creio que existe ainda uma oportunidade para o diálogo sobre a proposta do organismo atômico da ONU (Agência Internacional de Energia Atômica)."

Tudo o que sabemos sobre:
Celso AmorimMinustahHaitiIrãEl País

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.