Para analistas, 2012 marca o declínio do 'sarkozysmo'

Escândalos minaram a popularidade do presidente e derrota pode ser o fim da carreira política de Sarkozy

PARIS, O Estado de S.Paulo

06 Maio 2012 | 03h06

Até o governo de Jacques Chirac, o maior partido de direita da França, a União por um Movimento Popular (UMP), era identificado como "gaullista", em alusão aos princípios de Charles de Gaulle. A direita defendia uma economia regulada pelo Estado, uma diplomacia independente e valores sociais conservadores, como a família e o trabalho.

Agora, analistas dizem que a eleição pode estar marcando o fim de outro movimento: o "sarkozysmo". A existência de um movimento em torno da política de Nicolas Sarkozy vem sendo diagnosticada nos últimos anos por diferentes cientistas políticos. Pierre Musso, autor do best seller Sarkoberlusconismo, sobre o governo de Sarkozy e de Silvio Berlusconi, disse ao Estado que o movimento é, ao mesmo tempo, liberal e conservador, como um estilo de fazer política personalista, que comanda o partido sem contestação interna, faz alianças com extremistas, usa o imigrante como bode expiatório, mescla interesses públicos e privados e governa para si e para seus aliados.

A constatação sobre a "desintegração do sarkozysmo" é agora feita por autores como Frédéric Martel, autor do livro J'aime pas le Sarkozysme Culturel ("Eu não gosto do sarkozysmo cultural"). Para ele, não é a direita que será vencida, mas Sarkozy em pessoa e seu estilo inculto e grosseiro que será derrotado.

Para justificar seu argumento, o escritor evoca uma lista de escândalos do presidente que justificam a saturação dos franceses com relação a ele. Esses escândalos começam no dia de sua posse, em 2007, quando em vez de saudar a multidão em uma praça Sarkozy decidiu jantar com seus amigos, entre os quais algumas das maiores fortunas do país, em um restaurante chique da Avenida Champs Elysées.

Em seu mandato, seguiram-se diversos escândalos: as férias no iate do milionário Vincent Bolloré, a tentativa de promoção de Jean Sarkozy, seu filho, a altos cargos públicos, a defesa da "hierarquia de civilizações" feita por seu amigo e ministro Claude Guéant, o casamento com Carla Bruni, seu relógio Patek Philippe de € 55 mil e o financiamento ilegal de campanha envolvendo a milionária Lilian Bettencourt e o ditador Muamar Kadafi.

"Como símbolos, eles são determinantes", disse Martel à revista Le Nouvel Observateur. "Sarkozy perderá as eleições em razão da economia, mas também por esses símbolos calamitosos. Por jogar demais com o dinheiro, com o business, com as mulheres, com o fogo, ele acabou queimando os próprios barcos." Para Martel, o dia de hoje marca o fim do "sarkozysmo" e o desaparecimento de Sarkozy da cena política. / A.N.

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