Para analistas, candidatos já estão definidos

Ao nomear Nicolás Maduro seu sucessor, Hugo Chávez fez com que seus partidários superassem divisões internas, o que unificou os chavistas em torno de um único nome para disputar as eleições presidenciais convocadas em razão da ausência do líder. Em resposta, a oposição também tenta evitar fragmentações.

GUILHERME RUSSO, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2013 | 02h09

Analistas concordam que não haverá surpresas quanto aos candidatos à presidência. A indicação de Chávez é "incontestável" e o resultado obtido por Henrique Capriles na disputa presidencial de outubro - quase 45% dos votos - garantem que ele seja o candidato "lógico" da oposição.

"Em todo movimento político há tensões, lutas, disputas - porque, senão, isso não seria política. No entanto, com a morte de Chávez, é como se houvesse morrido o pai da família. Todos os irmãos, ainda que estejam brigados, se juntam e a família fica unida. Como o presidente teve a inteligência de, antes de se submeter à última cirurgia, pedir votos para Maduro, deixou tudo muito claro para os chavistas", disse o cientista político Oscar Reyes, consultor da oficialista VTV.

Para o diretor do instituto Datanálisis, Luis Vicente León, os mais de 6,5 milhões de votos obtidos por Capriles na última eleição presidencial o tornam o mais provável candidato da oposição. León lembrou que, entre os antichavistas, ele tem 72% de apoio. "Seria irreal se ele não fosse o candidato", disse.

Reyes alertou, porém, que Capriles teria de mudar seu discurso. "Entre os venezuelanos, nem ricos nem pobres querem um pacote neoliberal", disse Reyes, sugerindo que o opositor deveria apresentar um programa social-democrata. "Seja quem for, o vencedor não terá como evitar três questões: o combate à violência, a dependência do petróleo e o fortalecimento da indústria."

O cientista político Sadio Garavini di Turno, da Universidade Central da Venezuela, vê outro problema em comum entre chavistas e opositores. Para ele, a união que ambos os lados tentam consolidar internamente tende a se dissipar durante o governo. Ele afirmou que, graças ao apelo emocional da morte de Chávez, Maduro tem uma "clara vantagem" na disputa.

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