Para analistas, EUA assumiram riscos por ataque na Somália

Especialistas afirmam que os Estados Unidos assumiram grande risco ao lançarem um ataque aéreo contra um alvo suspeito de pertencer à Al-Qaeda na Somália. Havia poucos detalhes sobre a operação de segunda-feira, mas uma fonte do governo somali disse que muitas pessoas morreram no ataque de um avião AC-130 dos EUA contra um vilarejo, onde se acreditava que pelo menos um suspeito da Al-Qaeda estivesse escondido. Andrew Brookes, especialista em aviação do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos, disse que o AC-130 é preciso o suficiente para destruir uma construção sem arrasar um vilarejo inteiro, mas não para atingir um indivíduo dentro de um grupo. "Ele é capaz de derrubar o prédio em que se acha que os bandidos estão. Mas é claro que, a não ser que se tenha alguém no local para verificar, não se sabe quem está naquele prédio com o bandido que você quer", disse. A tática conseguiu eliminar Abu Musab al-Zarqawi, líder da Al-Qaeda no Iraque, mas deu errado em outras ocasiões, com ataques que provocaram grandes números de baixas civis.Em 2002, mísseis lançados por um Predator não-tripulado mataram seis suspeitos da Al-Qaeda no Iêmen. Já uma operação semelhante executada no Paquistão no ano passado não conseguiu matar o vice de Osama bin Laden, matando 18 civis - entre eles, mulheres e crianças. Para Michael Williams, do Royal United Services Institute de Londres, o uso de ataques aéreos "certamente tem seus momentos, mas pode ser um instrumento muito brusco. Armas inteligentes só são boas se as informações de inteligência que você tiver forem boas também"."O lado ruim é que esses ataques podem ser usados - especialmente se houver danos colaterais em termos de mortes civis - por islamitas radicais para fomentar o ódio e a violência contra os Estados Unidos. Se forem malfeitos, podem ser desastrosos."Washington, que evitou uma intervenção direta na Somália, onde manteve uma missão de paz desastrosa até 1994, afirma que alguns islamitas protegeram membros da Al-Qaeda.

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