Para analistas, impacto na eleição será pequeno

Kirchneristas dificilmente conseguirão usar doença na disputa legislativa, preveem especialistas

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires,

08 de outubro de 2013 | 22h50

BUENOS AIRES - A presidente Cristina Kirchner dificilmente conseguirá tirar grandes dividendos políticos de sua luta contra um hematoma na região cerebral - quando ficou viúva, sua popularidade subiu. Segundo analistas argentinos, é profundo o desgaste da imagem dela e esse cenário não pode ser superado facilmente.

Após a morte do presidente Néstor Kirchner, Cristina viu sua popularidade aumentar 10% em uma semana. Em seguida, a cifra subiu mais 20 pontos porcentuais. Desta vez, porém, ela não é candidata e dificilmente conseguirá transferir apoio aos seus aliados nas eleições parlamentares, segundo o cientista político Carlos Fará.

As pesquisas indicam que o governo poderia sofrer uma nova derrota nas urnas, similar à ocorrida no dia 11 de agosto, quando teve 26% dos votos nas eleições primárias, simultâneas e obrigatórias. A oposição, embora fragmentada, reuniu 74%.

Mariel Fornoni, da consultoria Management & Fit, também acredita que a tendência eleitoral permanecerá inalterada. No entanto, segundo ela, os discursos da oposição terão de ser "mais cautelosos".

O deputado Carlos Kunkel, aliado de Cristina no Parlamento, afirmou que não haverá "crise institucional" em razão do estado de saúde da presidente. "Não tenham esperanças, fazedores de panelaços", disse Kunkel, em referência à modalidade de protesto preferida dos argentinos.

David Lynch. A revista The Economist voltou a atacar o governo kirchnerista, dizendo que os constantes problemas de saúde da líder argentina poderiam levar a população a "fazer perguntas perspicazes sobre sua capacidade física de comando".

Segundo o semanário britânico, o governo aplicou políticas contraditórias, como perseguir os contribuintes argentinos com o Fisco ao mesmo tempo em que declarava uma ampla anistia tributária para os argentinos que tinham dólares não declarados no exterior.

A Economist concluiu que as notícias provenientes da Argentina são como os filmes do diretor David Lynch: "Quanto mais você as conhece, menos as entende".

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