Para Anistia, silêncio do Brasil é ''vergonhoso''

A Anistia Internacional lançou uma campanha contra o bloqueio imposto por Brasil, Índia e África do Sul a uma resolução do Conselho de Segurança na ONU criticando a repressão na Síria. Para Christoph Koettl, que coordena a iniciativa, é "vergonhosa" a recusa brasileira em apoiar até mesmo um texto apenas condenatório - ou seja, sem sanções efetivas - contra Damasco.

Roberto Simon, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2011 | 00h00

"Publicamos várias provas de que está havendo uma escalada nas violações cometidas na Síria. Agora, estamos realmente diante de crimes contra a humanidade; não apenas ações esporádicas, mas uma política sistemática de ataques a civis", disse por telefone ao Estado Koettl.

"Uma resolução envolvendo o Tribunal Penal Internacional (TPI), capaz de mostrar às autoridades sírias que elas responderão pelo que estão fazendo, é urgente", afirmou. "O Brasil está com uma posição contraditória, pois é signatário e diz apoiar o TPI, mas agora se recusa a agir."

Procurado pelo Estado, o Itamaraty não respondeu às críticas da Anistia.

Nos bastidores do Conselho de Segurança, países negociam há meses um rascunho de resolução contra Damasco. O texto foi elaborado por França e Grã-Bretanha, com a bênção dos EUA. Mas Brasil, Índia e África do Sul - que atualmente ocupam assentos rotativos no órgão - são contra a iniciativa, enquanto Rússia e China "têm uma posição mais maleável", avalia Koettl.

Para ser aprovada, uma resolução do Conselho de Segurança deve receber o voto de pelo menos 9 de seus 15 integrantes, sem que nenhum membro permanente (EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) use seu poder de veto. As potências ocidentais acreditam que, mesmo se for aprovada, uma medida contra a Síria perderá força sem o apoio dos emergentes.

O Brasil justifica sua posição citando o caso da invasão da Líbia - autorizada pela ONU para "impor um cessar-fogo" e "proteger civis", mas transformada pela Otan em uma missão para derrubar o regime de Muamar Kadafi. Koettl, porém, diz que o caso sírio "é muito diferente" e acusa Brasília de usar as violações cometidas pela aliança ocidental "como desculpa para não agir".

No site americano da Anistia, é possível enviar mensagens ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, pedindo que ele "tome uma atitude para parar o banho de sangue na Síria".

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