Para Annan, crise nuclear iraniana só gerará problemas no Oriente Médio

O confronto decorrente da crise nuclear iraniana só poderá gerar "problemas enormes" a uma região por si só tumultuada, advertiu neste domingo o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que defendeu a "negociação" como melhor solução para o problema."Sinceramente, acho que a melhor solução é a solução negociada. Caso se vá em direção a um enfrentamento, temo que isso criará enormes problemas, sobretudo em uma região na qual já há várias crises", declarou Annan no programa Le Gran Rendez-vous, produzido em conjunto pela emissora TV5-Monde, pela rádio Europe 1 e pelo jornal Le Parisien. Para as autoridades iranianas "tudo é negociável", acrescentou Annan. "Os iranianos estão dispostos a retornar à mesa e a negociar todas as questões. O que eles não aceitam é a suspensão do enriquecimento (de urânio) antes das negociações", disse Annan, que recentemente se reuniu em Teerã com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e com outras autoridades.Todos eles destacaram a "ambição pacífica" do programa nuclear, declarou o secretário-geral da ONU. Questionado sobre a possibilidade de ONU impor sanções sobre o Irã, Annan foi reservado. A questão não é ser "contra ou a favor", disse, mostrando-se, ao mesmo tempo, cético sobre a possibilidade de os membros do Conselho de Segurança da ONU tomarem uma decisão nesse sentido, já que, lembrou, "por enquanto, há uma divisão".Annan insistiu na importância de um canal de diálogo com o presidente iraniano ser aberto, apesar de este ter se pronunciado a favor da destruição de Israel e tenha proferido ataques anti-semitas."É preciso falar com ele para dizer-lhe que se equivoca, porque Israel é um membro das Nações Unidas, está estabelecido e vai continuar existindo. É um país democrático", declarou Annan.O secretário-geral acrescentou que também é preciso dizer a ele que trate da crise nuclear e que "existe uma comunidade internacional, que vivemos em um mundo interconectado, que devemos trabalhar juntos, e que se um país quer ser aceito em seu seio deve respeitar uma série de regras"."Se não se fala, como se vai influir, persuadir, convencer alguém de mudar?", perguntou Annan, que espera Ahmadinejad na Assembléia Geral da ONU que começa terça-feira em Nova York. "Os americanos não podem impedi-lo" de ir, declarou.

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