Para árabes, vitória republicana levará à guerra

A vitória dos republicanos na eleição intermediária dos EUA deve antecipar o momento em que o presidente George W. Bush ordenará uma ação militar contra o Iraque, estimaram analistas e autoridades árabes."A possibilidade de se lançar uma guerra contra o Iraque é, agora, maior do que nunca", afirmou o analista político saudita Khaled al-Ghamdi.Entre os árabes, alguns vêem isso como motivo de celebração, enquanto que para outros trata-se da aproximação de um desastre.No Kuwait, onde o ódio a Saddam Hussein é forte, devido à invasão iraquiana de 1990, um colunista do jornal Al-Watan, Fouad al-Hashem, disse estar "muito, muito feliz" com a vitória dos republicanos. "Isso significa que um ataque contra o Iraque não está mais no campo dos rumores ou suposições... Agora temos apenas de contar os dias para quando o povo iraquiano e toda a região serão salvos".Tal opinião não é compartilhada pela maioria dos árabes. Para muitos, as turbulências econômicas e sociais que uma nova guerra pode causar e o fantasma da dominação do Oriente Médio pelos EUA suplantam seus temores em relação ao regime iraquiano."Estamos lidando com uma potência que não tem limites em seu trato com questões internacionais", considerou Mohammed Shaker, líder do Conselho de Relações Externas do Egito.Muitos árabes avaliam que a retórica belicista de Washington contra o Iraque é ou um complô político para distrair a opinião pública americana de seus problemas econômicos ou um complô econômico para dominar as reservas de petróleo árabes.O Iraque tem a segunda maior reserva comprovada de petróleo entre os países da Opep."Essa vitória é uma mensagem de apoio dos americanos às políticas externas de Bush, depois que ele conseguiu distraí-los dos problemas econômicos domésticos", disse o ex-ministro da Justiça do Catar, Najeeb al-Nauimi."Bush convenceu os americanos de que erradicando movimentos radicais e ditaduras no mundo, a América será mais segura e melhor", opinou.O analista político jordaniano Labib Kamhawi disse que em seu país - um grande parceiro comercial do Iraque - muitas pessoas estão preocupadas com que agora Bush tenha o "caminho livre" para confrontar Saddam e continuar apoiando fortemente Israel, contra os palestinos.Sateh Noureddine, editor do jornal esquerdista libanês As-Safir, afirmou que a vitória republicana não terá muito efeito sobre a política em relação ao Iraque, uma vez que o Congresso já deu autoridade a Bush para usar a força, se necessário, contra Bagdá.Mas o ex-ministro jordaniano Hani Khasawneh expressou esperança de que grupos antiguerra consigam evitar um ataque ao Iraque, apesar da autorização já dada pelo Congresso americano."Existem vozes se opondo a uma guerra contra o Iraque e pedindo ao presidente para respeitar a tradição e os interesses do povo americano, e não arrastá-lo para uma guerra injusta contra o Iraque", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.