Para assessor de prefeito, prisão mostra desespero

Milos Alcalay afirma que a detenção de Ledezma era prevista e o governo se esconde atrás de termos como 'guerra econômica'

MARSÍLEA GOMBATA, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2015 | 02h04

Próximo a Antonio Ledezma, com quem trabalhava na prefeitura de Caracas como responsável pelo setor de relações internacionais, o embaixador Milos Alcalay disse que a prisão do líder opositor era algo esperado. "Essa é a crônica de uma repressão anunciada. O governo, perdido numa crise econômica, política e social, em vez de responder ao chamado para um diálogo, escolhe reprimir", disse Alcalay ao Estado.

Para o diplomata, que já representou a Venezuela na ONU e no Brasil, a detenção demonstra o "desespero" do governo. "Ledezma e todos os opositores foram presos em meio a uma novela de ficção que chamam de 'golpe de Estado', de 'conspiração internacional', de 'guerra econômica', de 'traição à pátria', e outros tantos argumentos", disse.

Para ele, a maior violação está no modo como o processo é conduzido. O procedimento padrão, afirma, é prender alguém sem explicar o porquê. A prisão de Ledezma, por exemplo, foi seguida por um longo silêncio até Maduro se manifestar e dizer que o opositor será julgado por "crimes contra a paz". "Não sei qual delito é esse, mas certamente inventarão."

Alcalay lamenta que hoje os opositores não sejam apenas oposição, mas vistos como "inimigos da pátria", enquanto empresários que buscam uma política econômica alternativa são perseguidos. "Há um nervosismo desproporcional que não ajuda a solucionar os problemas", avalia. "Qualquer visão que se tenha é pequena em relação ao que estamos vivendo. Desabastecimento, falta de medicamentos, corrupção cada vez mais cínica, um câmbio oficial e outro que se multiplica a cada dia. É a maior crise que já existiu na história da Venezuela."

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