Para assessor de Sharon, palestinos não cumpriram sua parte

Às vésperas de uma nova missão mediadora enviada pelos Estados Unidos ao Oriente Médio, um assessor de Ariel Sharon, Gideon Saar, disse hoje que os palestinos não cumpriram as condições do primeiro-ministro de Israel para o estabelecimento de uma trégua formal: uma semana sem ataques contra israelenses. Os Estados Unidos não respaldam plenamente a exigência de Sharon, e o primeiro-ministro poderá enfrentar objeções do enviado norte-americano Anthony Zinni. Zinni chegará amanhã ao Oriente Médio. Sua primeira missão na região fracassou em meados de dezembro devido aos atos de violência. Saar argumentou que, apesar de o volume de ataques dos palestinos terem sido reduzidos pela metade desde que Yasser Arafat declarou uma trégua em 16 de dezembro, as exigências estipuladas por Sharon não foram totalmente cumpridas. Por sua vez, o gabinete de Sharon divulgou um comunicado no qual "o primeiro-ministro reitera a necessidade de sete dias de calma absoluta" na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. De acordo com o governo, o pedido de Sharon tem o objetivo de fazer com que palestinos e israelenses possam colocar em prática o Plano Tenet, informou nesta quarta-feira uma rádio de Israel. Sharon apressou-se em pedir uma semana sem violência no Oriente Médio um dia depois de o ministro israelense das Relações Exteriores, Shimon Peres, ter dito em uma entrevista que já é tempo de colocar em prática o Plano Tenet. Este plano foi desenvolvido no ano passado pelo chefe da CIA, o serviço secreto dos EUA, George Tenet, com o objetivo de controlar a violência entre palestinos e israelenses a partir de metas estabelecidas e um plano de paz divido em várias etapas. Sharon ordenou também que os bloqueios em diversas cidades palestinas da Cisjordânia e da Faixa de Gaza sejam menos severos para que os palestinos possam circular com mais liberdade. Apesar disto, a polícia israelense deteve Mustafa Barghouti, chefe de um influente grupo palestino de estudos, quando ele deixava um hotel de Jerusalém depois de presidir uma entrevista coletiva. Segundo Gil Kleiman, porta-voz da polícia, ele foi interrogado por estar em Jerusalém sem permissão do governo. Israel impõe uma severa restrição a viagens desde o início da atual intifada, em 28 de setembro de 2000, impedindo a entrada de moradores da Cisjordânia e da Faixa de Gaza em Israel. O bloqueio inclui a tradicionalmente árabe Jerusalém Oriental, onde Barghouti, um morador da cidade de Ramallah, na Cisjordânia, presidia a entrevista coletiva, concedida ao lado de membros de uma missão internacional de solidariedade com os palestinos.

Agencia Estado,

02 Janeiro 2002 | 11h50

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.