Para atirador norueguês, atos foram 'necessários'

Segundo TV estatal NRK, advogado disse que Breivik planejou o atentado por um longo período

AE, Agência Estado

23 de julho de 2011 | 20h57

Texto atualizado às 22h07

 

Grupo especial da polícia desembarca na ilha enquanto jovens se escondem de atirador, ontem

 

OSLO - Anders Behring Breivik, acusado pelos dois ataques que deixaram 92 pessoas mortas em Oslo, capital da Noruega, admitiu neste sábado, 23, os crimes. Segundo a televisão estatal NRK, seu advogado, Geir Lippestad, disse que Breivik assumiu a responsabilidade pelo atentado, que plenejou por um longo período.

 

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De acordo com a TV2, Lippestad afirma ainda que o atirador "acredita que suas ações foram atrozes, mas que, na cabeça dele, elas foram necessárias". A agência de notícias NTB disse que Breivik era membro de um clube de tiro e tinha a posse legal de algumas armas.

 

De acordo com a BBC, o advogado explidou que o atirador "tinha consciência de que suas ações eram cruéis, mas na cabeça dele elas foram necessárias". Ele disse ainda que seu cliente está disposto a explicar suas motivações em uma audiência que ocorrerá na capital, Oslo, na segunda-feira.

 

A NTB informou que o suspeito escreveu um manifesto de 1,5 mil páginas antes do ataque, no qual ele critica o multiculturalismo e a imigração de muçulmanos. O manifesto também descreve como adquirir explosivos e continha fotos de Breivik. A polícia de Oslo se recusou a comentar sobre o documento.

 

Segundo a AFP, o documento, publicado em forma de diário na internet, apontaria que Breivik planejava os ataques há pelo menos dois anos, desde 2009. Além de informações sobre como eslaborar bombas, o documento tem um discurso político no qual o atirador detalha sentimentos islamofóbicos, ataques ao marxismo e sua "iniciação como cavaleiro templário", disse a AFP.

 

A polícia acusou Breivik de terrorismo. Ele será denunciado na segunda-feira, quando um tribunal vai decidir se a polícia poderá mantê-lo preso enquanto continua a investigação. Se condenado, ele pode pegar até 21 anos de prisão.

 

Clima de velório

 

Segundo as autoridades norueguesas, 85 pessoas, a maioria adolescentes, foram mortas no tiroteio em um acampamento da juventude do Partido Trabalhista, na ilha de Utoya. Outras sete pessoas morreram em um ataque a bomba, horas antes, contra prédios do governo em Oslo. A polícia afirmou que o número de vítimas pode aumentar, já que ainda há jovens desaparecidos na ilha. Eles podem ter se afogado enquanto nadavam para tentar fugir do atirador.

 

Além disso, também há suspeitas de que haja mais corpos dentro dos prédios atacados em Oslo, que estão frágeis demais para que seja feita uma investigação completa. Em Oslo, o clima era de velório: bandeiras estavam hasteadas a meio mastro e muitas pessoas se reuniram ao redor de igrejas, para prestar homenagem às vítimas acendendo velas e colocando flores.

Foi o pior ataque ocorrido na Noruega desde a Segunda Guerra Mundial, disse a BBC.

 

As informações são da Dow Jones e da Associated Press

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