Para autor, Havana sabia de atentado contra JFK

Com base em relato de ex-espião cubano, livro defende que Fidel tinha conhecimento do plano de Lee Harvey Oswald

O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2012 | 03h03

Fidel Castro tinha conhecimento de que, em 23 de novembro de 1963, Lee Harvey Oswald tentaria matar o presidente John F. Kennedy em Dallas. Não é possível dizer se o comandante cubano ordenou ou mesmo se participou do complô. Mas ele sabia.

É essa a tese do livro do ex-agente da CIA Brian Latell - e um dos motivos pelos quais Castro's Secrets está provocando debate nos EUA.

A hipótese tem por base registros da inteligência americana e, novamente, o depoimento de Florentino Aspillaga, o mais graduado espião de Fidel a debandar para os EUA.

Em 1963, Aspillaga - com menos de 20 anos e calouro na recém-formada escola de espionagem cubana - tinha a tarefa de ajudar a monitorar ondas de rádio da CIA. Ele era uma espécie de "aviãozinho" de Havana: escutava as transmissões vindas da Flórida e de Washington para evitar um ataque surpresa à ilha. Se ouvisse algo suspeito, soava o alarme.

Na manhã do assassinato de Kennedy, o jovem recebeu ordens inéditas para mudar o direcionamento das antenas e voltá-las ao Estado do Texas. A mudança deixava Cuba virtualmente desprotegida de um ataque americano. Horas depois, veio a notícia da morte do presidente.

"Tudo o que Aspillaga nos disse (à CIA) provou-se verdadeiro, incluindo coisas de que não fazíamos ideia, como a carta que Fidel enviou ao (premiê soviético Nikita) Kruchev e os nomes de todos aqueles agentes duplos", disse Latell ao Estado. "Ele nunca buscou nada com essa sua história e, mais importante, ele nunca contou algo que não foi posteriormente comprovado."

O assassino de Kennedy viveu na URSS e, segundo ex-espiões de Cuba e dos EUA, era aficionado por Fidel. Nos dois meses que antecederam ao ataque em Dallas, Oswald fez três visitas ao consulado cubano na Cidade do México, pedindo um visto para viajar a Havana. Em todas as vezes o documento lhe foi negado.

A principal estação da espionagem de Cuba ficava na Cidade do México. O escritório clandestino era chefiado por dois homens que, anos depois, seriam acusados de participar no assassinado do ditador nicaraguense Anastasio Somoza.

Um dia após a morte de Kennedy, com especulações nos EUA sobre possíveis mandantes do crime contra o presidente, Fidel afirmou à TV cubana: "Nunca em nossa vida escutamos falar dele (Oswald)". A Comissão Warren, grupo de investigação montado pelo Congresso americano para apurar o assassinato de Kennedy, entrevistou Fidel anos depois e concluiu que ele de fato não sabia de nada. / R. S.

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