Para Biden, Brasil é maior parceiro dos EUA na região

Vice de Obama diz no Rio que País 'já emergiu', pede melhora na relação e cobra por mais empenho na defesa da democracia

HELOISA ARUTH STURM, SABRINA VALLE/ RIO , O Estado de S.Paulo

30 Maio 2013 | 02h00

Em seu primeiro dia de atividades no Rio, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, afirmou que, para Washington, "nenhum parceiro (na América Latina) é mais significativo do que o Brasil". O elogio veio também com uma cobrança: o emissário de Barack Obama incentivou o País a trabalhar mais em defesa da democracia no mundo. Biden pediu ainda que 2013 marque "o começo de uma nova era na relação Brasil-EUA".

"Vocês não podem mais dizer que são uma nação emergente. Vocês emergiram e se envolveram em questões de segurança alimentar, não proliferação (nuclear), missões de paz, prevenção de conflitos, esforços anticorrupção. E tiveram um impacto positivo no mundo", disse Biden. Em todos os seus compromissos, o vice-presidente esteve sob forte esquema de segurança, sempre com a presença de franco-atiradores.

Discursando para uma plateia de cerca de 500 convidados - políticos, empresários, representantes da sociedade civil e estudantes - no Píer Mauá, zona portuária do Rio, Biden saudou a melhora da cooperação entre Washington e Brasília, mas afirmou que a relação bilateral não atingiu todo seu potencial. "Ainda há um abismo gigantesco entre onde estamos e o que somos capazes. Temos a oportunidade de estabelecer uma agenda ambiciosa em questões que interessam a nossos povos, para marcar 2013 como o começo de uma nova era das relações Brasil-EUA."

Biden elogiou o exemplo brasileiro de mudança social e econômica, dizendo que experiências como Fome Zero e Minha Casa, Minha Vida mostram que "não há necessidade de um país escolher entre democracia e desenvolvimento, entre economia de mercado e políticas sociais inteligentes".

No entanto, o emissário americano entrou também em terreno delicado ao questionar a relutância do Itamaraty em pressionar regimes ditatoriais por reformas democráticas. "Buscamos que vocês reconheçam a diferença entre interferência indevida nos assuntos de outros países e o aprofundamento da democracia e dos direitos humanos quando eles estão sob ataque", afirmou, dizendo que o Brasil poderia desempenhar papel importante em transições no mundo árabe.

Agenda. Durante a tarde, o vice-presidente e sua comitiva de mais de cem pessoas seguiram para o Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde Biden se reuniu com empresários. Após o encontro, Biden disse que houve consenso na reunião de que a colaboração entre os dois países "pode ir muito além". Ele citou áreas como energia, indústria pesada, aço, aviação, infraestrutura e manufaturados.

O vice-presidente também visitou o Centro de Pesquisa da Petrobrás (Cenpes), ao lado da presidente da empresa, Graça Foster. Ele havia citado o setor petrolífero em seu discurso pela manhã, afirmando que os EUA têm expertise em extrações em águas profundas e estão preparados para uma parceria com o Brasil. À tarde, porém, não fez menção ao setor nem ao pré-sal.

Hoje ele visitará uma comunidade pacificada. Do Rio, parte à tarde para Brasília, onde deve se encontrar com a presidente Dilma Rousseff e o vice Michel Temer.

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