Para Blair, Oriente Médio tem ´arco de extremismo´

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, pediu nesta terça-feira uma mudança fundamental de estratégia e de valores num esforço para derrotar o que ele chamou de ?um arco de extremismo? que estaria se expandindo no Oriente Médio. Em um discurso no Conselho de Assuntos Internacionais de Los Angeles, nos Estados Unidos, Blair disse que a luta contra o extremismo não poderá ser vencida por meios convencionais.Essa luta terá de ser travada, segundo ele, tanto no nível dos valores quanto no da força. Para Blair, isso requer uma mudança dramática de foco estratégico, uma revitalização das políticas de combate à pobreza, sobre mudanças climáticas e sobre comércio internacional, além dos máximos esforços para conseguir a paz entre Israel e os palestinos.No início da semana, uma pesquisa indicou que o índice de desaprovação a Blair entre os britânicos chegou a 67%, o seu mais alto nível desde que ele assumiu o governo, em 1997. Para o jornal Financial Times, a queda no apoio a Blair seria conseqüência de sua ligação próxima ao presidente americano, George W. Bush, e a falta de uma posição mais dura contra a atual onda de violência no Líbano.Discurso atualFalando a uma platéia de 2 mil pessoas, Blair disse que seu discurso havia sido preparado havia semanas, mas que a atual crise no Líbano o deixou ainda mais atual.Segundo ele, a crise é uma guerra ?de um tipo completamente não-convencional?. ?Há um arco de extremismo se expandindo agora sobre o Oriente Médio e chegando a países muito longe da região?, disse. Blair advertiu ainda que a Síria e o Irã precisam parar de apoiar o terrorismo ou serão ?confrontados?. O premiê afirmou que a Síria permite que membros da Al-Qaeda cruzem a fronteira com o Iraque, enquanto o Irã apóia o extremismo xiita iraquiano.?O propósito do terrorismo no Iraque é absolutamente simples - carnificina, causando ódio sectário, levando à guerra civil?, disse.Aliança de moderaçãoPara Blair, para derrotar o ?extremismo global? é necessária ?uma aliança de moderação que mostre um futuro diferente no qual muçulmanos, judeus e cristãos, árabes e ocidentais, países ricos e em desenvolvimento, possam fazer progressos em paz e harmonia?.?Não venceremos a batalha contra o extremismo global ao menos que a vençamos no nível dos valores tanto quanto no nível da força, ao menos que mostremos que somos justos na aplicação desses valores para o mundo.?Para ele, essa luta ?somente pode ser vencida mostrando que nossos valores são mais fortes, melhores e mais justos que as alternativas?.

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