Para Bush, é "grave" Coréia do Norte ter armas nucleares

O presidente dos Estados Unidos,George W. Bush, considera "preocupantes e graves" as notíciasde que a Coréia do Norte tem um programa de armasnucleares, afirmou nesta quinta-feira seu porta-voz, Scott McClellan. Falando a repórteres que acompanharam Bush numa viagem, oporta-voz McClellan afirmou que o presidente pretendelevantar a questão num encontro que terá na semana que vem com opresidente chinês, Jiang Zemin. McClellan disse que Bush decidiu tratar a questão através decanais diplomáticos. "Buscamos uma solução pacífica",adiantou. Os Estados Unidos e a Coréia do Sul, perturbados com aadmissão da Coréia do Norte de que tem um programa secreto dearmas nucleares, estão pedindo a Pyongyang para mudar de rumo erespeitar promessas de renunciar ao desenvolvimento de taisarmamentos. A revelação surpreendente, feita na noite de quarta-feira pelaCasa Branca, mudou o cenário político na Ásia Oriental,desestimando esperanças de que a Coréia do Norte estava nocaminho de se tornar uma presença mais benigna na região. Privadamente, autoridades da Casa Branca relataram que Bush eseus altos assessores decidiram confrontar o problema semestardalhaço. Bush, por exemplo, não planeja fazer declaraçõespúblicas hoje. A revelação é mais uma dor de cabeça na cena internacionalpara a administração, surgindo no momento em que os EUA sepreparam para um possível ataque contra o Iraque e em meio àguerra geral contra o terrorismo. Para o líder da maioria no Senado, o democrata Tom Daschle,"duas coisas devem ser feitas imediatamente. Primeiro, eles têmde abrir o país a inspeções para que suas instalações sejamexaminadas. E segundo, eles têm de concordar em destruirqualquer arma de destruição em massa que possuam. Tem de haverum comprometimento". O líder republicano no Senado, Trent Lott, afirmou que"obviamente, a Coréia do Norte é motivo de preocupação. Masclaramente, a preocupação com a qual temos de lidarimediatamente é o Iraque". Uma alta autoridade americana, que pediu para não seridentificada, disse que a Coréia do Norte admitiu ter armas"mais poderosas". Oficiais dos EUA interpretaram a declaraçãocomo um reconhecimento que Pyongyang dispõe de outras armas dedestruição em massa. Entretanto, os mesmos oficiais não estavamcertos de que a Coréia do Norte realmente possui armas químicase biológicas. Em 29 de agosto, o subsecretário de Estado John Boltonconsiderou que "em relação a armas químicas, existem poucasdúvidas de que a Coréia do Norte tem um programa ativo". Bolton estava hoje na China no início de um giro de 10 diasque também o levará à Grã-Bretanha, França e Rússia - trêspotências nucleares. Ele também planeja parar em Bruxelas paraconversas com líderes da União Européia. Bolton está acompanhado do também subsecretário de EstadoJames Kelly, que vai viajar separadamente depois da China para oJapão e Coréia do Sul. Qualquer inclinação da administração a tentar confrontar aCoréia do Norte, que Bush rotulou como parte de um "eixo domal" junto com o Iraque e Irã, pode ser temperada com o desejode não estender demais suas ações internacionalmente. McCormack disse na noite de quarta-feira que a Coréia do Nortedesrespeitou seriamente um acordo de 1994 com os EUA pelo qualPyongyang prometeu não desenvolver armas nucleares em troca deassistência econômica. "Os Estados Unidos e nossos aliados pedem à Coréia do Nortepara cumprir seus compromissos no tratado de não proliferação eeliminar seu programa de armas nucleares de forma verificável",afirmou McCormack. Autoridades americanas relataram que a Coréia do Norte afirmoua diplomatas dos EUA que não tinha mais a obrigação de respeitaro acordo antinuclear. Hoje, no Pentágono, o secretário da Defesa Donald Rumsfelddisse acreditar que os norte-coreanos tenham não apenas umprograma de armas, mas que já desenvolveram alguns armamentos. Ele citou relatórios de inteligência da CIA avaliando que aCoréia do Norte "pode ter um ou dois" artefatos nucleares, eacrescentou: "Acredito que eles tenham um pequeno número dearmas nucleares". Por um momento, parecia que a Coréia do Norte estava dispostaa afastar-se do "eixo do mal". Pyongyang estava promovendoreformas capitalistas e fazendo gestos conciliatórios para oJapão e Coréia do Sul. E também havia retomado conversações comos EUA no começo do mês.

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