Para Bush, intransigência do Irã é motivo para isolamento

Em um dia dominado pela perspectiva da abertura de diálogo entre os Estados Unidos e o Irã para uma busca de soluções para a violência no Iraque, o presidente americano, George W. Bush, disse nesta segunda-feira que Teerã deve enfrentar o "isolamento econômico" caso continue se recusando em cancelar seu programa de enriquecimento de urânio. A declaração reflete as preocupações levadas à Casa Branca pelo premier israelense, Ehud Olmert, que visitou o presidente nesta segunda-feira. O Irã está sob forte pressão internacional para que congele essa atividade, que para os EUA e outras potências ocidentais é parte de um programa secreto para a produção de armamentos atômicos. Teerã, no entanto, rejeita a acusação, alegando querer dominar o processo para ampliar a utilização da energia nuclear no país. Segundo o presidente americano, o programa nuclear iraniano representa riscos que vão além de Israel e do Oriente Médio. "É muito importante que o mundo se una para dizer aos iranianos que, caso eles escolham continuar seguindo em frente (em suas pretensões nucleares), eles serão isolados", disse o presidente após uma reunião de uma hora com Olmert. A receita de Bush para lidar com o Irã foi a diplomacia, uma vez que a ONU trabalha para impor sanções à República Islâmica. Embaixadores dos países membros permanentes do Conselho de Segurança tentam alcançar uma resolução contra o Irã há semanas. "Caso eles continuem com o programa, é necessário que haja uma conseqüência", disse Bush. "E uma das formas de fazer isso isolando o país", continuou o presidente. "Minha esperança é que hajam pessoas racionais no governo, que vejam que o isolamento não faz parte dos interesses do país." Os comentários de Bush vêm no momento em que críticos e aliados do governo americano pedem a abertura do diálogo com o Irã e com a Síria como solução para a violência no Iraque. Olmert Durante a mesma coletiva, Olmert reiterou sua preocupação diante do programa nuclear do Iraque, que considera ser uma ameaça concreta à segurança de Israel. Entretanto, o premier israelense ressaltou que seu governo tem a intenção de negociar com a Síria. Mas disse, no entanto, que isso não deverá acontecer agora, uma vez que a liderança síria apóia o Hamas e o Hezbollah, grupos formados por militantes que combatem Israel. Em relação a suas preocupações com o Irã, Olmert também deu garantias de que não busca um confronto com Teerã. "Eu não quero uma guerra", disse ele. "Isso (a questão iraniana) não é um tema restrito a Israel. É um tema moral para todo o planeta."

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