Para Bush, mudança no Iraque interessa a "todo o mundo"

O presidente americano, George W. Bush, assegurou que planos sobre um eventual ataque ao Iraque não foram discutidos na reunião que manteve ontem em sua fazenda no Texas - onde passa férias - com os principais assessores de defesa de sua administração. Bush ressaltou, no entanto, que a deposição de Saddam Hussein é uma das metas da campanha internacional contra o terrorismo, liderada pelos EUA. "Esse tema não surgiu na reunião, mas estamos considerando seriamente todas as ameaças e continuaremos consultando nossos aliados", disse Bush a jornalistas após o encontro. "O povo americano conhece minha posição de que uma mudança de regime (no Iraque) seria de interesse de todo o mundo. Como faremos que isso aconteça é uma questão de consulta e deliberação. Consideraremos todas as opções e tecnologias disponíveis, assim como a diplomacia e a inteligência." Bush enfatizou, no entanto, que não há um plano pronto para uma intervenção militar no Iraque, nem decisões sobre quando ou como ela seria empreendida. "Sou um homem paciente", declarou o presidente. Participaram da reunião o vice-presidente Dick Cheney; a conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice; o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld; o comandante do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Richard Myers, e o diretor do programa antimísseis do Pentágono, Ronald Kadish. O secretário de Estado, Colin Powell, não foi ao Texas por estar de férias. Oficialmente, o encontro teve como objetivo discutir alterações no orçamento de defesa e os progressos na instalação de um escudo antimísseis. A intenção da administração Bush de atacar o Iraque tem provocado pedidos de cautela de líderes aliados estrangeiros, e até de membros do Partido Republicano. O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, minimizou hoje a importância dos pedidos de cautela. "O que estamos presenciando é um saudável debate por todos os EUA sobre a melhor maneira de alcançarmos uma mudança do regime (no Iraque)", afirmou. Relatórios da inteligência americana indicam que pelo menos um punhado de dirigentes da rede terrorista Al-Qaeda, liderada por Osama bin Laden, refugiou-se no Iraque depois de escaparem das ofensivas dos EUA no Afeganistão, segundo informou o jornal The Washington Post. De acordo com o articulista do diário, Bradley Graham, a presença de combatentes da Al-Qaeda em território iraquiano pode dar à administração Bush um pretexto racional para lançar um ataque contra o país. Rumsfeld declarou ao jornal que os terroristas da Al-Qaeda não podem estar no Iraque sem o conhecimento de Saddam. O vice-presidente iraquiano, Tariq Aziz, reagiu afirmando que os membros da Al-Qaeda estavam escondidos no norte do país, sob o controle do líder da oposição curda, Jallal Tallabani. "Eles (os terroristas) estão na área dos aliados do sr. Rumsfeld", ironizou Aziz, reiterando que, em caso de ataque, os iraquianos se defenderão "com coragem e perseverança". Numa entrevista à Rádio BBC, de Londres, o general americano Wesley Clark, ex-comandante das forças da Otan na Europa, disse hoje que há "entre 65% e 70%" de possibilidade de os EUA lançarem um ataque contra o Iraque no ano que vem.

Agencia Estado,

21 Agosto 2002 | 18h43

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