Para Bush, prisão não manchou imagem dos EUA

Presidente admitiu alguns erros e ?decepções?, mas defendeu técnicas de interrogatório de Guantánamo

Reuters, AP E NYT, Washington, O Estadao de S.Paulo

13 de janeiro de 2009 | 00h00

O presidente dos EUA, George W. Bush, negou ontem que o tratamento dado a prisioneiros da base americana de Guantánamo tenha prejudicado a "posição moral" de seu país no mundo. "Nossa posição moral pode ter sido prejudicada entre uma elite, mas as pessoas em geral ainda entendem que os EUA defendem a liberdade", disse Bush. "Sei que Guantánamo criou polêmicas. Mas quando chegou a hora daqueles países que estavam criticando os EUA receberem alguns prisioneiros, eles se recusaram a ajudar", completou, em referência a países europeus como a Holanda e a Suécia.Essas declarações foram feitas na última entrevista coletiva de Bush antes de deixar o cargo, no dia 20, e horas antes de assessores de Barack Obama divulgarem que o novo presidente ordenará o fechamento de Guantánamo já em sua primeira semana de governo. No domingo, Bush defendeu as técnicas de interrogatório usadas em Guantánamo, que organizações de defesa dos direitos humanos denunciam como tortura. Na entrevista, um Bush nostálgico e, por vezes, combativo, falou dos oito anos de seu governo. Ele defendeu com fervor a sua decisão de invadir o Iraque e a "guerra ao terror", mas admitiu pelo menos três "decepções". A primeira foi o escândalo das atrocidades cometidas por soldados americanos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque. A segunda, quando ele próprio decretou "missão cumprida", logo após a tomada de Bagdá por tropas dos EUA. "Acabei enviando a mensagem errada. Obviamente parte de minha retórica foi um erro", disse. A terceira "decepção" de Bush foi a ausência de armas de destruição em massa no Iraque, principal justificativa da invasão ao país. "Não sei se devo chamar isso de erro ou não. Foram coisas que não marcharam de acordo com os planos", afirmou. Segundo Bush, a Coreia do Norte e o Irã estão entre as principais "ameaças" a serem enfrentadas por seu sucessor. Os dois países foram incluídos no "eixo do mal" em seu governo, mas Obama quer dialogar com Teerã. O presidente também afirmou que ainda não pretende se aposentar. "Não posso me imaginar sentado numa praia com um grande chapéu de palha e uma camisa havaiana. Ainda mais depois que deixei de beber", afirmou Bush, que no passado superou um problema de alcoolismo. O presidente americano disse que no dia 21 vai se levantar em seu rancho no Texas e fazer um café para sua esposa, Laura: "Será uma sensação diferente. Direi como é quando a sentir."Bush deixará o governo com 27% de aprovação, o mais baixo entre presidentes americanos desde que Richard Nixon renunciou em 1974.

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