Para cantor, Havana poderia ser mais tolerante com dissidentes

Um dos ícones da revolução, o cantor e compositor cubano Silvio Rodríguez muito provavelmente não imaginava a repercussão que teriam seus apelos por mudanças na ilha. Em uma entrevista, no mês passado, Rodríguez fez a ressalva de que sempre apoiou o processo revolucionário, mas disse que Cuba "pedia a gritos por mudanças". Agora, parece mais cauteloso, mas não nega que queira reformas.

Ruth Costas, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2010 | 00h00

"Acho que em alguns sentidos nossa política interna tem de amadurecer", afirmou em entrevista ao Estado por e-mail, ao ser indagado sobre as críticas ao tratamento dado aos dissidentes na ilha. "Temos de aprender a ser mais respeitosos com os que pensam diferente. Nisso já avançamos muito, por exemplo, no que diz respeito à sexualidade e à religião. Mas na política somos mais intransigentes. Talvez se fosse levantado o bloqueio (dos EUA a Cuba) haveria um relaxamento nesse aspecto."

Questionado sobre as mudanças necessárias, Rodríguez foi pouco específico: "Durante os primeiros 25 anos, o governo revolucionário era quem falava sobre o futuro para os cidadãos. Agora, parece que os cidadãos têm de falar com o governo. Seria bom encontrar uma maneira de voltar a sentir a sintonia daqueles primeiros tempos."

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