Para Casa Branca, exilar Arafat não resolveria o problema

Exilar Yasser Arafat não ajudaria a levar a paz ao Oriente Médio, disse hoje o porta-voz da Casa Branca, Sean McComarck, horas depois de as tropas israelenses terem bombardeado o quartel-general do líder palestino em Ramallah, na Cisjordânia. Um ataque suicida que matou 17 israelenses nesta semana intensificou as especulações de que o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, poderia expulsar Arafat. Segundo o conselheiro de Sharon, Raanan Gissin, no entanto, tal medida "não resolveria o problema". McComarck concorda. "Não acho que exilar Arafat resolveria alguma coisa", disse. "A questão é construir as instituições palestinas e, neste processo, contar com a colaboração do povo palestino". Também hoje, o líder palestino desestimulou a possibilidade de exílio. "Me expulsar?", perguntou. "Morrerei aqui". O Departamento de Estado recebeu hoje novas garantias de oficiais israelenses de que Arafat não será forçado ao exílio, informou o porta-voz Richard Boucher. "Arafat é o líder do povo palestino", disse ele, renovando a visão da administração Bush de que não importa as críticas sobre sua liderança, Arafat está no comando.Quarto destruídoO ofensiva das forças israelenses hoje cedo destruiu três edifícios dentro do quartel-general do líder palestino Yasser Arafat, além de bombardear seu quarto de dormir. Essa ofensiva foi qualificada pelo Estado judeu como parte de uma série de represálias pelo atentado extremista que deixou 18 mortos. O atentado de ontem, quando um jovem de 18 anos empregou uma nova técnica de atentado - ele emparelhou um carro repleto de explosivos com um ônibus israelense e os detonou -, levou a duas incursões israelenses e a uma promessa de que mais ações estão por vir, em um ciclo de violência que ameaça torpedear os recentes esforços internacionais para pôr fim a mais de 20 meses de violência no Oriente Médio. Em contraste com um cerco de mais de um mês encerrado em 2 de maio, o ataque de hoje contra o QG de Arafat em Ramallah durou apenas algumas horas. Porém, tanques israelenses e motoniveladoras gigantes abriram um enorme buraco na parede externa do complexo que ocupa um quarteirão inteiro e destruíram três prédios em seu interior, inclusive a sede do serviço secreto palestino. Arafat denunciou que os israelenses estavam tentando assassiná-lo. Um foguete israelense foi lançado contra o quarto de dormir do líder palestino, caindo a apenas 1,5 metro de sua cama. Apontando para sua cama coberta de poeira, um espelho quebrado e toalhas espalhadas, Arafat comentou: "Eu deveria ter dormido aqui na noite passada, mas tive que fazer alguns trabalhos no andar de baixo. É claro que os israelenses sabiam onde eu deveria estar. Todo mundo sabe onde fica meu quarto." O capitão Jacob Dallal, porta-voz do Exército de Israel, garantiu que Arafat não era o alvo. "Se houvesse alguma intenção de ferir Arafat, isto não seria nenhum problema", comentou Dallal. Ainda nesta quinta-feira, os israelenses invadiram Beituniya, um bairro de Ramallah, cercaram um edifício e detiveram seis homens. O Exército israelense informou que um dos detidos é o líder local do braço armado do movimento Hamas. Palestinos armados e soldados de Israel trocaram tiros durante a breve incursão. As forças israelenses deixaram Nablus após uma operação de uma semana para prender supostos terroristas e confiscar armas e explosivos. Em um tiroteio ocorrido hoje na Cisjordânia, um motorista israelense morreu, disseram fontes hospitalares. A vítima foi identificada como um estudante colegial de 18 anos que vivia em Ofra, um assentamento judaico construído entre Ramallah e Nablus.

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