Para chanceler boliviano, trabalho infantil é fator positivo

O ministro das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, pediu à população que não se preocupe com a possibilidade de as crianças trabalharem porque, dessa maneira, "adquirem certas responsabilidades".O chanceler boliviano deu as declarações na apresentação do Relatório "Estado Mundial da Infância 2007", elaborado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).Segundo o documento, na Bolívia, 22% da população de 5 a 14 anos trabalham em alguma atividade econômica ou doméstica, ou trabalhou pelo menos durante a semana anterior à enquete que serviu para o estudo.Para Choquehuanca, a sociedade boliviana não deve se preocupar muito. Ele defendeu o incentivo "não somente à educação" mas também "aos processos de comunicação" que facilitem a compreensão da realidade, em referência à necessidade das crianças de entrar no mercado de trabalho.O documento do Unicef se concentra na importância de promover a autonomia da mulher e relaciona esta meta com a sobrevivência e o desenvolvimento das crianças.No entanto, dos 30 países estudados, apenas em 10 a percentagem de mulheres que participa das decisões na família chega a pelo menos 50%.O representante do Unicef no país, Francisco Rojas, disse que "a igualdade dos gêneros e o bem-estar da mulher caminham juntos", por isso, quando se luta pela igualdade de gênero, o resultado "não é só o respeito aos direitos, mas também uma vida melhor para meninos e meninas".Para Rojas, é durante a infância que nasce a discriminação por razões de gênero, e os estragos causados por ela afetam milhões de crianças e mulheres no mundo.Na Bolívia, a discriminação por gênero tem efeitos evidentes, assinala o estudo, citando a preferência por filhos homens e a diferença de oportunidades na educação e no emprego.A violência física e psicológica contra a mulher é um problema que afeta seta de cada 10 mulheres, diz o documento.

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