Para Chávez, acabar com pobreza é dar poder aos pobres

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse hoje (26) estar convencido de que "a única forma de acabar com a pobreza é dando poder aos pobres". Ele defendeu uma democracia participativa e um novo modelo econômico de redistribuição das riquezas, citando que seu país tem um índice de 80% de pobres. Segundo o presidente, na última metade do século XX na Venezuela, evaporaram-se recursos financeiros gerados pelo petróleo equivalentes a 15 Planos Marshall (plano de auxílio econômico aos países europeus após a segunda guerra mundial). "Isto é uma coisa horrorosa", declarou. "Como em um território tão rico vive um povo empobrecido." Os comentários foram feitos durante entrevista coletiva que Chávez concedeu no final da tarde em Porto Alegre, quando afirmou que há uma crise histórica e estrutural em seu país. Para explicar a situação, ele recorreu ao filósofo italiano Antonio Gramsci (1891-1937). "Gramsci dizia que uma crise é verdadeira quando em um país, em um lugar, em uma sociedade, há algo que está morrendo e vai morrer, mas não termina de morrer, e ao mesmo tempo, há algo que está nascendo e vai nascer, mas não termina de nascer", descreveu o presidente venezuelano.Segundo Chávez, a crise começou há mais de 20 anos na Venezuela. Ele disse ter a impressão de que o mundo também está entrando em uma crise de época. "Em todo o mundo estamos vendo fenômenos que às vezes nos surpreendem", analisou. Ele avaliou que as dificuldades em seu país não serão solucionadas pela proposta de um "grupo de amigos" ou de "de um clube de senhores". Para o presidente, a "crise na Venezuela será solucionada quando o que vai morrer termine de morrer e o que está nascendo, termine de nascer".Citando a Constituição da Venezuela, que classificou que "um projeto ético antineoliberal", Chávez disse que o documento é um dos poucos dos continente aprovado por um referendo nacional. "Foi elaborada por uma Constituinte e submetida a um referendo nacional onde votaram milhões e mais de 80% a aprovaram", relatou. "É a mais legítima Constituição que tivemos em 200 anos de história republicana", acrescentou. Chávez esteve na capital gaúcha para um ato de apoio à Venezuela, promovido pelo comitê gaúcho de solidariedade ao país, durante o 3º Fórum Social Mundial. Chávez disse que as elites econômicas e parte das elites sociais se opõem ao projeto e tomaram o caminho do golpismo e do fascismo. Para ele, "o fascismo é a face superior do neoliberalismo".Veja o especial sobre os Fóruns de Davos e Porto Alegre

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