Para Chávez, diálogo sobre crise foi erro de Obama

Líder diz que negociações com golpistas de Honduras foram uma armadilha que abriu precedente perigoso

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

10 de julho de 2009 | 00h00

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou ontem em Caracas que as negociações para solucionar a crise em Honduras "estão mortas" e os Estados Unidos erraram ao convocar o diálogo na Costa Rica entre os dois lados que disputam o poder em Tegucigalpa.Segundo Chávez, a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, não deveria ter apoiado as negociações com o líder do governo de facto de Honduras, Roberto Micheletti, classificado pelo venezuelano como um "usurpador" e "gorila". "Foi um erro grave do governo de (Barack) Obama. É uma armadilha para a democracia e abre as portas para um perigoso precedente", disse Chávez, que defende o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya, à presidência de Honduras.A aliança de Chávez com Zelaya é o principal argumento do governo de facto de que o presidente deposto estaria planejando se perpetuar no cargo por meio de mudanças na Constituição hondurenha. No domingo, Chávez chegou a fornecer o avião usado por Zelaya para tentar voltar a Tegucigalpa. A ação foi impedida pelo Exército hondurenho.Para o venezuelano, foi "indigno" abrir as negociações e criticou também o presidente da Costa Rica e Prêmio Nobel da Paz, Oscar Arias. "Que horrível ver um presidente legítimo recebendo um usurpador", como Micheletti, acrescentou Chávez.Já Zelaya, em visita à República Dominicana, preferiu elogiar o papel dos EUA na crise em Honduras. "Acredito que a mensagem enviada pelos EUA foi muito positiva", disse, citando como exemplos o apoio do governo Obama à resolução da Assembleia-Geral da ONU e à suspensão de Honduras da Organização dos Estados Americanos. Nos próximos dias, o presidente deposto deve ir a Washington reunir-se com Thomas Shannon, chefe da diplomacia americana para a América Latina, e com o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza.Em debate no Congresso americano, deputados democratas afirmaram que Zelaya não deveria ter sido deposto, enquanto alguns republicanos criticaram o governo Obama por apoiar um presidente que, segundo eles, violou a lei.Micheletti e Zelaya deixaram o encontro em San José, que busca resolver a crise hondurenha. Mas um ministro costa-riquenho envolvido nas negociações afirmou que no primeiro dia foram discutidos "temas gerais" e ontem foram delineadas posições mais concretas pelas comissões representando os dois lados. O diálogo deve prosseguir na semana que vem e pode "demorar dias", segundo Arias.Zelaya foi deposto no dia 28 e colocado em um avião para a Costa Rica. O governo de facto o acusa de desrespeitar a Constituição com o objetivo de permanecer no poder. Não existe saída constitucional como o impeachment em Honduras.

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