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Para chefe da missão da ONU, Síria está em guerra civil

Hervé Ladsous vê 'grande aumento do nível de violência' no país

estadão.com.br, Agência Estado

12 de junho de 2012 | 15h15

NAÇÕES UNIDAS - O chefe da missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), Hervé Ladsous, disse nesta terça-feira, 12, que a Síria está em plena guerra civil e "com grande aumento do nível de violência".

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Ao ser perguntado se o país estava em guerra civil, Ladsous disse a um pequeno número de repórteres que "sim, acho que podemos dizer isso. Claramente o que está acontecendo é que o governo da Síria perdeu o controle sobre grandes partes do território e várias cidades para a oposição e quer retomar o controle".

Esta é a primeira vez que uma autoridade do alto escalão da ONU declara que o conflito na Síria é uma guerra civil.

Na semana passada, o chefe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) afirmou que o confronto na Síria tem sido tão intenso em partes do país que em alguns momentos tem classificado a situação de guerra civil localizada, embora não tenha dito que se tratava de uma guerra civil em escala total.

Caso o CICV declare a crise síria um "conflito armado interno", isso terá implicações legais com relação aos crimes de guerra e ao cumprimento das Convenções de Genebra.

A declaração de Ladsous não tem nenhuma implicação legal, mas pode ter um peso político. Na semana passada, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu sobre o risco iminente de a crise síria se tornar uma guerra civil.

Ladsous também comentou um ataque sofrido pelos observadores da ONU na Síria nesta terça-feira, ocorrido quando tentavam chegar à cidade síria de Haffeh. Os monitores foram forçados a voltar pela multidão furiosa, que jogou pedras e barras de metal contra eles.

"Um de nossos observadores quase foi ferido", disse ele. "Pensamos que ele tivesse sido ferido, mas na verdade a bala não o atingiu, atingiu a bota dele". "Foram muitos impactos no carro", acrescentou ele. "Assim, foi deliberado."

A cidade montanhosa de Haffeh fica a cerca de 30 quilômetros de Kardaha, onde nasceu o presidente Bashar Assad. Segundo a ONU, a multidão parecia ser composta por moradores da região.

Com informações da Dow Jones, da Associated Press e da Reuters

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