Para China, escudo antimíssil pode sabotar a paz

A China advertiu hoje que o sistema de defesa antimísseis do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pode provocar uma nova corrida armamentista e sabotar a paz internacional, divulgou a estatal Agência de Notícias Nova China.O porta-voz do Ministério do Exterior, Zhu Bangzao, pediu a Washington para não enterrar um tratado de controle de armas de 1972 que coloca vários limites a sistemas antimísseis, acrescentou a agência."Acreditamos que o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM) é a pedra fundamental para salvaguardar o equilíbrio estratégico e a estabilidade do mundo", disse Zhu, segundo a agência.A breve notícia da Nova China foi a primeira reação oficial chinesa desde que Bush expôs na terça-feira em Washington seus planos para um projeto antimíssil. Pequim repetiu objeções anteriores do governo chinês sobre acabar com o tratado de 1972, que os Estados Unidos assinaram com a antiga União Soviética."Se o tratado for destruído, o equilíbrio estratégico e a estabilidade mundiais serão rompidos, e o processo internacional de controle de armas e os esforços de não proliferação serão impedidos", teria dito Zhu.O jornal oficial Diário do Povo afirmou numa análise que Bush estava levando à frente o sistema antimísseis, apesar das objeções mundiais, porque ele teme ser visto como um líder fraco depois de ter vencido a última eleição presidencial por estreita margem. "Bush está tentando erradicar de sua mente a sombra de ser um presidente fraco", diz o artigo.A administração Bush está considerando um sistema de defesa antimíssil que poderia ser posto em operação no mínimo em 2004. O sistema contaria com laser baseado no espaço que destruiria um míssil logo depois de ser lançado, assim como mísseis posicionados em embarcações que poderia dividir com um sistema baseado em terra a tarefa de abater mísseis em pleno ar.Os aliados americanos Grã-Bretanha e Canadá chegaram perto de aprovar o plano, enquanto que a Suécia, Alemanha e outros expressaram profunda preocupação, temendo que o plano coloque em risco a segurança global.

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