Para China, resolução da ONU pode levar guerra ao Irã

A China expressou preocupação nesta segunda-feira de que a proposta de resolução das Nações Unidas (ONU) de frear o programa nuclear iraniano possa levar a uma nova guerra e pediu ao Reino Unido e França que eliminem qualquer referência a possíveis sanções ou ações militares contra o Irã. O embaixador chinês na ONU, Wang Guangya, manteve sua oposição a colocação da resolução sob o Capítulo 7 da Carta da ONU, que estabelece ações para responder à ameaças a paz e segurança internacional. Entre essas ações estão a ruptura de relações diplomáticas, sanções econômicas e o uso da força. Reino Unido e França, que apóiam a resolução juntamente com os Estados Unidos, insistem que ela deve ser estabelecida sob o Capítulo 7 para que a exigência de que Teerã suspenda o enriquecimento de urânio seja legalmente obrigatória.Contudo, Wang discordou, afirmando que a China considera que todas as resoluções do Conselho de Segurança são legalmente obrigatórias e não há necessidade de uma referência ao Capítulo 7. Quando perguntado se acredita que uma resolução sob o Capítulo 7 levaria o Conselho pelo caminho que o levou à Guerra do Iraque, o embaixador chinês respondeu: "Sim, essa é uma preocupação".Wang falou a repórteres antes de se reunir com embaixadores dos membros permanentes do Conselho com poder de veto: Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França.Após a reunião, os embaixadores reafirmaram seus esforços para um consenso sobre a resolução, antes que os ministros do Exterior de seus países se reúnam em um jantar em Nova York, na segunda-feira, sobre a questão iraniana.O embaixador americano, John Bolton disse, depois de uma reunião informal do Conselho no sábado, que os Estados Unidos não estão preparados para "estender essas negociações eternamente" e que querem votar ainda esta semana, com ou sem o apoio da Rússia e China. Wang disse que a China espera que os mediadores possam reescrever sua resolução e chegar a uma proposta que tenha "o apoio de todo o Conselho". A Agência Nuclear de Energia Atômica (AIEA) declarou em 2002 que o Irã estava conduzindo atividades nucleares secretas há décadas, apesar de nunca ter afirmado que Teerã possui um programa bélico. O Irã afirma que tem o direito de enriquecer urânio para um programa nuclear civil e pacífico com fins energéticos sob o Tratado de Não-proliferação nuclear (TNP) e se recusou a obedecer a exigência em março para que suspenda o enriquecimento. Estados Unidos, Reino Unido e França acreditam que Teerã quer adquirir armas nucleares e afirmam que Teerã escondeu partes de seu programa nuclear da comunidade internacional.

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