Para cientistas, tremores podem continuar por semanas

Especialistas dizem que podem ocorrer de centenas a milhares de tremores no Haiti nas próximas semanas e meses, até as rochas se acomodarem em todo o entorno do epicentro do terremoto de 7 graus na escala Richter ocorrido na noite de anteontem. Daniel Garcia, sismólogo do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), afirmou que ocorreram até a tarde de ontem 35 tremores, com magnitude de 4,2 a 5,9 graus na Escala Richter. O mais forte aconteceu somente sete minutos após o sismo principal. Os tremores posteriores são em geral pelo menos um ponto menor do que a magnitude do primeiro.

AE, Agencia Estado

14 de janeiro de 2010 | 10h24

Como estão desesperados, os moradores sofrem também com esses sismos menores. E como a área está fragilizada, pode ocorrer mais destruição - edifícios que já estão danificados podem ruir. Entretanto, em alguns dias ou semanas é provável que as pessoas não sintam mais os tremores, que ficarão cada vez menos intensos.

Segundo o geofísico João Willy Corrêa Rosa, professor da Universidade de Brasília (UnB), a energia liberada pelo terremoto no Haiti foi equivalente a 30 bombas atômicas como a que destruiu Hiroshima, no Japão, em 1945 - ou a 18 bilhões de quilos de TNT explodindo ao mesmo tempo. Já esses tremores subsequentes, mais fracos que o principal, podem ter potência de até três bombas de Hiroshima.

"Considerando o tempo geológico, ocorrem sismos frequentes naquela área", disse Rosa. De acordo com o geofísico, a estação de monitoramento de Pitinga, 300 km ao norte de Manaus (AM), é a terceira mais próxima do epicentro. "O registro da estação está totalmente tomado pelo que ocorreu no Haiti", afirmou. Segundo ele, o evento pode ser comparado à badalada de um sino. "Fez toda a Terra vibrar durante horas", disse.

Placas

A falha geológica na região é chamada de "transcorrente" e se movimenta lateralmente, no plano horizontal, explicou Allaoua Saadi, professor de geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "É como dois pedaços de madeira que são colocados lado a lado e um se desloca", disse. No caso, as placas são a norte-americana e a do Caribe. Quando uma raspa na outra, há liberação de energia acumulada ao longo do tempo.

De acordo com Saadi, a gravidade do terremoto, além da magnitude na escala Richter, também está relacionada ao fato de o epicentro ter sido num ponto considerado raso, 10 km de profundidade - quanto mais perto da superfície, maior a potência. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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