Para CNBB, prejuízos para a Igreja são evidentes

Escândalo pode até comprometer desempenho de presidente, diz cardeal de Salvador

José Maria Mayrink, O Estadao de S.Paulo

23 de abril de 2009 | 00h00

O cardeal-arcebispo de Salvador, d. Geraldo Majella Agnelo, afirmou ontem, no convento de Itaici, em Indaiatuba, que o fato de o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, ter-se tornado pai de um menino, quando ainda era bispo, é um escândalo que prejudica a imagem da Igreja e pode comprometer seu desempenho no governo."Lamentamos que isso tenha ocorrido, porque o povo é exigente em relação a nosso comportamento e exige de nós um testemunho de vida exemplar, além da pregação por palavras", disse d. Geraldo na Assembleia-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cujo tema central é a formação do padre, discutida em vários níveis, a começar pela dimensão humano-afetiva. O cardeal de Salvador acrescentou que, tendo tido a oportunidade de conviver com Lugo em vários encontros do episcopado latino-americano, está pedindo a Deus que o ilumine, de modo a vencer as dificuldades e poder trabalhar pelo povo de seu país no campo político. Lugo foi dispensado das funções episcopais pelo Vaticano, quando era bispo da Diocese de San Pedro e candidatou-se à presidência do Paraguai.D. Demétrio Valentini, bispo de Jales (SP), também lamentou o fato, mas elogiou o comportamento de Lugo. "Se ele se aposentou aos 55 anos, o que não é normal para os bispos, que se afastam de suas dioceses aos 75 anos (conforme normas do direito canônico), é porque percebeu que, em consciência, não podia continuar", disse.O problema, segundo o bispo de Jales, é que Lugo se escudou na condição de bispo para se candidatar e se eleger presidente. "Agora que o feitiço se volta contra o feiticeiro, ele tem de se desfazer dessa armadura e deixar de ser bispo, se ainda se considera no episcopado", advertiu d. Demétrio."O prejuízo para a Igreja Católica é evidente", acrescentou.Também d. Angélico Sândalo Bernardino, que acaba de deixar a Diocese de Blumenau (SC), lamentou o envolvimento de Lugo com uma mulher (ou mais de uma), enquanto ainda estava no exercício do ministério episcopal. "Aos 76 anos, sou capaz de entender certos comportamentos afetivo-sexuais e, sendo assim, digo que atire a primeira pedra aquele que não se sentir culpado."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.