Para comissão, EUA mataram 83 na Guatemala

WASHINGTON

, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2011 | 00h00

Um relatório divulgado ontem por uma comissão especial nomeada pelo presidente Barack Obama confirmou que 83 pessoas na Guatemala morreram após experiências secretas realizadas por médicos dos EUA nos anos 40. Segundo a comissão, 1,3 mil guatemaltecos foram infectados com doenças venéreas em um programa conduzido pelo National Institute of Health, agência ligada ao Departamento de Saúde americano, entre 1946 e 1948.

O caso foi descoberto em 2010 pela historiadora Susan Reverby, do Wellesley College. Ela pesquisava sobre ensaios clínicos realizados pelo médico americano John Cutler, quando encontrou documentos sobre as experiências na Guatemala.

Cutler e outros pesquisadores americanos usaram cobaias humanas, incluindo doentes mentais, para descobrir se a penicilina poderia ser usada para prevenir doenças sexualmente transmissíveis. Inicialmente, eles inocularam gonorreia e sífilis em prostitutas e depois as estimularam a manter relações sexuais com soldados, detentos e doentes mentais.

Desculpas. Quando soube das experiências, Obama anunciou a criação de uma comissão especial para investigar o caso e fez um pedido de desculpas formal, por telefone, ao presidente guatemalteco, Álvaro Colom. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, descreveu os testes como "desumanos" e "antiéticos".

Colom, que não sabia de nada, qualificou as experiências americanas na Guatemala como "crimes contra a humanidade" e ordenou que o país realizasse sua própria investigação sobre o caso. O presidente guatemalteco estuda levar o caso aos tribunais internacionais. Algumas vítimas e seus parentes decidiram processar o governo americano. / AP

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