Para comunidade, Kretschmer era ''inofensivo''

PERFIL

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2009 | 00h00

"Warum?" talvez tenha sido a questão mais repetida pelos moradores de Winnenden, na Alemanha, desde o massacre cometido por Tim Kretschmer, na manhã de quarta-feira. Seu significado: "Por quê?" As dúvidas pairam sobre o crime sobretudo porque o adolescente responsável por 15 mortes é descrito como "completamente normal" pela comunidade contra a qual se voltou.É na condição de adolescente comum que residem as dúvidas sobre as razões da violência perpetrada por Kretschmer, um menino de classe média alta. Como muitos de sua geração, ele usava a internet em excesso. Na web, costumava jogar Counter-Strike, um simulador de combates armados proibido para menores de 18 anos.Kretschmer é definido pela comunidade de Winnenden, de 27 mil habitantes, como um jovem tímido, simpático e, ironicamente, "inofensivo".Há conflitos entre testemunhos sobre se Kretschmer seria ou não alguém solitário. Ele teria tido uma namorada até 2008, da qual acabou se separando - a pedido dela. A situação teria levado o jovem à depressão. Os traços de sua insegurança, então, se tornam mais visíveis. No site de relacionamentos Kwick.de, ele faz uma descrição vazia sobre si mesmo: "O que gosto em mim? Nada. O que eu odeio em mim? Nada."De acordo com as investigações, seus distúrbios psiquiátricos ficaram mais evidentes nas últimas semanas. "Quem era Tim K.? Era um garoto normal, com uma criação absolutamente comum, sem percalços. Era um aluno mediano que gostava de uma menina, que não gostava dele", descreveu ao ?Estado? Dieter Schneider, inspetor da polícia de Baden-Wurttemberg. "Sabemos agora que ele gostava muito de internet e passava boa parte de seu tempo vendo vídeos e jogando games de atiradores."Os vídeos mais vistos por Kretschmer revelam um hobby suspeito, herdado do pai: o tiro ao alvo. Segundo a polícia, o adolescente via demonstrações de tiro na web e exercitava sua técnica atirando em um bosque próximo de sua casa. "Ele dispunha de softwares que simulam condições de tiro, que são por si só formas de treinamento. Além disso, treinou com as armas de seu pai", disse Schneider.

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