Para congressistas dos EUA, não há mudanças em Cuba

Congressistas americanos afirmaram não terem percebido mudanças em Cuba após concluir no sábado a segunda jornada de contatos, em Havana, com autoridades da ilha. A visita pode ser considerada a mais importante de legisladores dos EUA a esse país desde o triunfo da revolução cubana, em 1959."É difícil ver muita gente falando de uma mudança em termos reais, e é realmente difícil detectar que a mudança esteja acontecendo, eu claramente não a detectei", disse o congressista republicano pelo Arizona Jeff Flake, ao término da jornada de trabalho.A delegação parlamentar, integrada por seis congressistas democratas e quatro republicanos, se reuniu no sábado com o ministro das Relações Exteriores cubano, Felipe Pérez Roque.Além disso, os parlamentares se encontraram com o presidente do Banco Central, Francisco Soberón, e a ministra da Indústria Básica, Yadira García, assim como com representantes do corpo diplomático credenciado na capital cubana, e o cardeal e arcebispo de Havana, Jaime Ortega, segundo fontes da delegação."Tivemos muitos encontros, fizemos muitas perguntas e recebemos muitas respostas", assinalou Flake, ao precisar que "ainda" não se reuniram com o presidente provisório de Cuba, Raúl Castro.Flake afirmou que, na sua opinião, as autoridades cubanas não vêem a possibilidade de mudar o rumo político do país e, pelo contrário, seguem confiando na linha atual, convencidos de que "a economia vai bem e o povo está contente"."Apesar da possibilidade de uma mudança na pessoa que dirige o país, não há muita mudança", insistiu.No entanto, o político americano reiterou que na sua opinião o governo deve suspender as restrições de viagens de seus cidadãos à ilha e parte das medidas do embargo unilateral que os EUA mantêm há mais de 40 anos contra Cuba, "se não a totalidade dele".Em relação à dissidência interna, o congressista afirmou que os integrantes da delegação transmitiram suas "preocupações" aos funcionários de governo cubano durante suas reuniões.A visita acontece depois de Raúl Castro divulgar, em 2 de dezembro, uma mensagem conciliadora aos EUA para que ambos os países se sentassem em uma mesa de negociação para tentar resolver suas diferenças.O presidente interino de Cuba divulgou essa mensagem durante um desfile no 50º aniversário das Forças Armadas Revolucionárias.Os congressistas, que chegaram nesta sexta-feira a Cuba, se reuniram na primeira jornada com o presidente da Assembléia Nacional (Parlamento), Ricardo Alarcón, e com o chefe do Departamento de Relações Internacionais do Partido Comunista de Cuba, Fernando Remírez de Estenoz.Além disso, a delegação americana se encontrou com os responsáveis pela companhia estatal cubana de importação de alimentos (Alimport), que mantém estreitos laços com empresários dos EUA que têm negócios agroalimentares com a ilha.Os congressistas devem concluir neste domingo sua visita a Cuba, embora, em princípio, não estejam previstos outros contatos em sua agenda.EUA e Cuba romperam relações diplomáticas em 1961, dois anos depois da vitória da revolução cubana, e ambos os países resolvem os assuntos consulares através de seções de interesse em Washington e Havana.

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