JACK GUEZ / AFP)
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Para cônsul de Israel, base da violência está na natureza do Hamas; leia artigo 

'O Hamas é uma organização terrorista que usa a força para promover sua agenda política e religiosa. Isso não se aplica apenas a Israel, mas ao seu modo de vida'

Alon Lavi, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2021 | 05h00

Nos últimos dias, todos nós fomos expostos a jornalistas, analistas, notáveis acadêmicos, todos tentando explicar as razões que levaram à atual onda de violência que estamos testemunhando entre Israel e o Hamas em Gaza. Sem dúvida, é uma situação complicada, muitos fatores estão envolvidos e a recorrência de eventos nos desafia buscar motivos que possam esclarecer o porquê, e por que agora, além de várias outras questões.

Essa busca leva muitos a ignorar o simples fato na base da violência -- a natureza do Hamas. O Hamas é uma organização terrorista que usa a força para promover sua agenda política e religiosa. Isso não se aplica apenas a Israel, mas ao seu modo de vida.

O Hamas assumiu brutalmente o controle de Gaza, em 2007, da Autoridade Palestina, dois anos depois que Israel se retirou da Faixa de Gaza, não deixando qualquer colônia judaica para trás. O Hamas executou sem julgamento pessoas que ele pensava estarem ajudando Israel, assediou e prejudicou palestinos que eram suspeitos de apoiar a Autoridade Palestina. Essa organização matou membros da comunidade LGBT+ apenas por causa de suas preferências sexuais e incita diariamente a violência no sistema educacional, na mídia e até nas creches.

Fora tudo isso, o Hamas não reconhece o direito de Israel de existir e apela abertamente à destruição de Israel. Quando uma organização terrorista como o Hamas desenvolve e armazena dezenas de milhares de mísseis, foguetes e outras armas, é inevitável que as use. Quando o Hamas declara que não reconhece o Estado judeu, fica claro que o Hamas usará seu armamento contra Israel. A questão não é se o “Hamas o usará contra Israel”, mas sim "quando”.

No momento em que Israel investe para construir abrigos antiaéreos para proteger seus cidadãos, o Hamas usa seu povo como escudo humano. Enquanto o Hamas desenvolve novos foguetes que causarão mais danos e baixas, Israel melhora o sistema de proteção do Domo de Ferro. Enquanto o Hamas se esconde sob hospitais e constrói túneis de ataque, Israel vacina sua população contra o coronavírus. Enquanto Israel lamenta profundamente a morte de pessoas inocentes, palestinos e israelenses, o Hamas celebra a morte e a utiliza para promover sua agenda política.

Como amostra de que a guerra de Israel é contra o terrorismo e não contra os moradores de Gaza, o posto fronteiriço de Keren Shalom, que liga o território israelense à Faixa de Gaza foi reaberto nesta terça-feira, 18, para o envio de ajuda humanitária à população local. Caminhões com combustível, medicamentos, alimentos, equipamentos e ferramentas estão passando para as organizações humanitárias de Gaza.

Nenhum país se omitiria diante do terrorismo extremo e da agressão contra seus cidadãos e sua soberania, sobre seu direito de existir. Nenhum dos leitores aceitaria viver sob constante ameaça de ataques terroristas e mísseis em suas casas, no trabalho e contra sua família. Israel não tem escolha se não defender seu povo. Não é uma missão fácil, especialmente quando o Hamas está usando a população de Gaza como escudo humano. O Hamas se esconde entre civis de Gaza, lançando foguetes com alto poder de destruição contra Israel ao lado de escolas, mesquitas e edifícios residenciais.

A comunidade internacional precisa pressionar o Hamas a sair do caminho da violência, parar com o terrorismo e aceitar o direito de Israel existir em paz. O povo de Gaza merece uma vida normal como o povo de Israel merece, mas isso só pode acontecer quando Gaza estiver livre do Hamas. A organização impõe um regime de terror, com opressão a oposicionistas, a mulheres, a minorias religiosas e minorias sexuais, entre outros grupos.

Apesar da realidade complexa e implacável que Israel está enfrentando, ainda estou otimista. Nos últimos meses, testemunhamos uma mudança histórica quando países árabes estabeleceram relações diplomáticas com Israel, assinando acordos de paz e iniciando o processo de normalização. Essa mudança é uma prova de que a paz é possível.

É trabalho de todos, de Israel, dos países árabes e da comunidade internacional, minimizar o papel negativo de extremistas e terroristas como o Hamas. É nossa responsabilidade coletiva capacitar aqueles que buscam a paz e não a violência, rejeitar aqueles que promovem a instabilidade e fomentar vozes moderadas que clamam por colaboração.

Depois de alguns anos no Brasil, estou ainda mais otimista. Encontrei amigos aqui da comunidade muçulmana e árabe brasileira. Vejo as relações entre a comunidade judaica e árabe no Brasil e sei que a paz é possível.

*CÔNSUL-GERAL DE ISRAEL

 

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