Motti Millrod/Pool/AFP
Motti Millrod/Pool/AFP

Para conter alta de casos, Israel vai restringir voos

Governo decide fechar o país para conter vírus; autoridades têm tido dificuldades com a comunidade ultraortodoxa

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2021 | 22h06

JERUSALÉM - O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu disse neste domingo, 24, que Israel fechará o aeroporto internacional para quase todos os voos para evitar a entrada de viajantes com cepas mais contagiosas do novo coronavírus. O país vive uma alta de casos da doença e tem enfrentado a resistência de judeus ultraortodoxos que se recusam a seguir as determinações das autoridades de saúde.

O aumento nas notificações ameaça minar a campanha altamente bem-sucedida de Israel para vacinar sua população. Em apenas um mês, o país vacinou mais de um quarto de seus 9,2 milhões de habitantes. Ao mesmo tempo, o vírus continua a se espalhar por todo o país, com uma média de mais de 8 mil novos casos por dia.

No domingo, o governo decidiu restringir os voos internacionais de entrada e saída do país. As autoridades disseram que abririam exceções para um pequeno número de casos humanitários – como funerais e pacientes médicos – e voos de carga. “Estamos fechando os céus hermeticamente, exceto em raras exceções, para evitar a entrada de mutações virais e também para garantir que tenhamos progresso rapidamente em nossa campanha de vacinação”, disse Netanyahu.

As novas regras começam a valer amanhã e permanecerão em vigor até 31 de janeiro. O gabinete de Netanyahu disse que a medida ainda exigia o aval do Parlamento, o que deve ocorrer na segunda. Durante a pandemia, Israel restringiu a entrada da maioria dos estrangeiros em seu principal aeroporto internacional, mas abriu exceções para certas categorias de pessoas, incluindo estudantes e israelenses que retornam do exterior. O país, porém, permite que turistas israelenses voem para países classificados como “verdes”, onde as autoridades acreditam que há taxas baixas de contaminação.

Essa abertura parcial, diz o governo, parece ter permitido que variantes mais contagiosas do coronavírus que foram identificadas no Reino Unido, por exemplo, entrassem em Israel. No domingo, o Ministério da Saúde disse que detectou o primeiro caso de uma nova variante do coronavírus descoberta nos Estados Unidos, trazida por um homem que chegou de Los Angeles.

Ultraortodoxos

Especialistas em saúde do país dizem que o desrespeito das normas de segurança sanitária por judeus ultraortodoxos do país também foi um fator importante na disseminação do vírus na nova onda que atinge o país.

A polícia israelense tem relutado em confrontar a comunidade.

No domingo, agentes entraram em confronto com grandes multidões de manifestantes ultraortodoxos em várias cidades, com um oficial atirando para cima para manter a multidão distante. Com quase 65 casos e da doença por milhão de habitantes, Israel é o 11.º no mundo em notificações. Pelo menos 4,3 mil pessoas morreram. / AP

Tudo o que sabemos sobre:
Binyamin NetanyahuIsrael [Ásia]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.