Para conter protestos, rei do Marrocos promete reformas constitucionais

Monarca colocará em referendo proposta de ceder poderes a um premiê eleito democraticamente e ao Parlamento.

BBC Brasil, BBC

17 de junho de 2011 | 19h33

Em discurso considerado histórico, o rei Mohammed 6º, do Marrocos, anunciou nesta sexta-feira propostas para "amplas reformas constitucionais", que, segundo ele, consolidarão instituições democráticas e garantirão direitos humanos e liberdade de expressão no país norte-africano.

Entre as propostas do monarca estão dar mais poder ao primeiro-ministro eleito por voto popular e ao Parlamento - reduzindo, assim, os poderes do próprio rei, que no entanto seguiria como chefe das Forças Armadas e como a principal autoridade religiosa do país, segundo as agências de notícias.

Mohammed ressaltou que se manterá como o "guia" e "árbitro supremo" do país.

O rei também quer dar ao país uma nova língua oficial (o berber, além do árabe).

As propostas, que serão submetidas a referendo popular em 1º de julho, foram elaboradas por um painel designado por Mohammed 6º.

As ideias de mudança são uma reação a fortes protestos antigoverno no Marrocos, decorrentes da alta no desemprego e da pobreza e inspirados nas revoluções ocorridas na Tunísia e no Egito.

'Transição significativa'

"Falo a vocês (referindo-se ao povo) para renovar nosso compromisso conjunto de alcançar uma transição significativa (para) um Estado de direito e instituições democráticas", disse o rei no discurso televisionado desta sexta.

O sucesso das medidas, caso aprovadas, poderá servir de termômetro para outros países árabes que enfrentam levantes populares.

O discurso do rei foi comemorado por parte da população marroquina na noite desta sexta-feira. Mas muitos ativistas antigoverno, porém, são céticos quanto ao alcance das reformas propostas, alegando que a monarquia do país - existente a 400 anos - já propôs mudanças antes que acabaram por se provar superficiais.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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