Para Coreia do Norte, exercícios dos EUA tornam guerra iminente

Península Coreana vive tensão desde terça-feira; manobras militares ocorrerão no domingo

Reuters

26 de novembro de 2010 | 08h46

PAJU - O governo da Coreia do Norte disse nesta sexta-feira, 26, que os exercícios militares a serem realizados conjuntamente pelos EUA e a Coreia do Sul irão empurrar a região para mais perto de uma guerra.

 

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Na terça-feira, a Coreia do Norte bombardeou uma ilha sul-coreana, matando quatro pessoas e destruindo dezenas de casas. O Norte alegou que estava reagindo a disparos sul-coreanos nas suas águas.

"A situação na península coreana está se aproximando da beira de uma guerra, devido ao imprudente plano desses elementos rápidos no gatilho, ao realizarem novamente exercícios de guerra voltados contra a RDPC (sigla oficial da Coreia do Norte)", afirmou a KCNA, agência oficial de notícias norte-coreana.

"O Exército e o povo da Coreia estão agora grandemente enraivecidos pela provocação do grupo fantoche (referência à Coreia do Sul), e se preparando plenamente para dar uma chuva de fogo pavoroso e para explodir o baluarte dos inimigos se eles ousarem investir novamente contra a dignidade e a soberania da Coreia."

Essa linguagem agressiva é típica da imprensa estatal norte-coreana, mas desta vez a tensão derrubou a cotação do won sul-coreano em até 2,2%. A Bolsa de Seul fechou em baixa de 1,3% cento nesta sexta-feira, refletindo o movimento do mercado asiático.

Durante a tarde (madrugada no Brasil), houve momentos de pânico em Seul, quando a TV local relatou ruídos de artilharia perto de Yeonpyeong, a ilha atacada nesta semana. Mas os militares disseram que os disparos estavam distantes, e nenhum projétil caiu em território sul-coreano. Aparentemente, tratou-se de um exercício norte-coreano.

O bombardeio de terça-feira levou à demissão do ministro sul-coreano de Defesa, após críticas de que o governo teria demorado a reagir contra a agressão. Nesta sexta-feira o presidente Lee Myung-bak nomeou para o posto o ex-chefe do Estado Maior conjunto das Forças Armadas Kim Kwan-jin.

Os EUA estão enviando o porta-aviões nuclear USS George Washington para a região do mar Amarelo, onde ocorrem exercícios conjuntos com a Coreia do Sul, de domingo a quarta-feira da próxima semana. O exercício, criticado também pela China, estava programado antes do bombardeio norte-coreano desta semana.

Na tarde desta sexta-feira (hora local), centenas de militares sul-coreanos da reserva fizeram uma manifestação na cidade fronteiriça de Paju, acusando o governo do Sul de ter sido muito brando na sua reação. Houve um pequeno protesto contra a Coreia do Norte em Seul.

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"As políticas preguiçosas do governo para a Coreia do Norte são brandas demais", disse Kim Byeong-su, presidente da associação de ex-fuzileiros navais, em Paju. "(O governo) precisa se vingar contra esse bando de cachorros loucos."

 

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