Para críticos, papa minimizou responsabilidades

As declarações feitas pelo papa Bento XVI no domingo, nos campos de concentração nazistas de Auschwitz e Birkenau, tiveram repercussão negativa na Itália. A maioria dos jornais e dos líderes judeus disse que o papa aliviou a responsabilidade do povo alemão e o silêncio da Igreja durante o Holocausto.Em sua visita nesta segunda-feira aos locais, o alemão Bento XVI não fez um discurso contra o anti-semitismo, como era esperado. O presidente da União de Comunidades Judaicas Italianas, Claudio Morpurgo, disse ter ficado "muito decepcionado" pela maneira como o papa abordou o tema, "como se a eliminação maciça de judeus tivera sido um episódio isolado e não o fruto de uma operação cultural e política muito ampla e complexa". "Não pode ser ligada a apenas Hitler e seus ajudantes."Para o historiador alemão Daniel Jonah Goldhagen, entrevistado pelo diário Il Corriere della Sera, "não é suficiente perguntar-se por que Deus não estava em Auschwitz, mas perguntar-se onde estava (o papa) Pio XII".Segundo ele, as declaração foram um passo para trás em relação ao documento de 1998 do papa João Paulo II, "Uma reflexão sobre o Shoah", em que ele pedia perdão pelo papel da Igreja e de seu rebanho na perseguição aos judeus.Também na Espanha as declarações não foram bem recebidas. "Bento XVI exime o povo alemão de sua responsabilidade nos crimes nazistas" é o título da reportagem no jornal El Mundo. EL País também destaca as palavras de compreensão com seus compatriotas.

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