Para defensor público, ex-assessor de Evo não pode ser detido

O defensor público da Bolívia, Waldo Albarracín, disse na quinta-feira que a condição de refugiado político no país do peruano Wálter Chávez, ex-assessor do presidente Evo Morales, impede a aplicação da ordem de captura emitida pela Interpol em Lima.Uma cópia da ordem foi mostrada na quarta-feira à noite num canal de televisão de La Paz. Mas o governo boliviano ainda não confirmou seu recebimento. O inspetor geral da Polícia Nacional, Fernando Peláez, disse na quinta-feira que não tem conhecimento do suposto pedido de apreensão.O peruano, que chegou a Bolívia em 1992 e desde 1998 tem status de refugiado, é procurado pelas autoridades de seu país por sua suposta participação no grupo terrorista Movimento Revolucionário Túpac Amaru (MRTA).Chávez nega a ligação e afirma que é vítima de uma campanha de "calúnias". Por isso, pediu licença do cargo de assessor de comunicação da Presidência da Bolívia, que ocupava desde meados de 2006.Em comunicado divulgado na quinta-feira, o defensor público recomendou ao governo que "garanta os direitos fundamentais do cidadão Walter Chávez e evite qualquer detenção", dada a sua condição de refugiado.O vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, disse que o Executivo se compromete a amparar o peruano, como prevê a Convenção Internacional sobre o Estatuto do Refugiado, aprovada em 1951 pela Assembléia Geral da ONU.Numa entrevista à rádio Erbol, Chávez disse que a "sanha" de alguns meios de comunicação bolivianos "corresponde a um acerto de contas político", para prejudicar o presidente Morales."Querem desprestigiar Morales dizendo que eu sou um terrorista", afirmou o peruano, criticando a "pressão midiática" dos setores "conservadores" da Bolívia e Peru.

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