Para Dilma e Lula, tratamento deveria ter sido em SP

Presidente e ex-presidente quiseram que o líder venezuelano fosse para o Hospital Sírio-Libanês, mas ele preferiu a discrição de Cuba

LEONENCIO NOSSA , ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2013 | 02h04

A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - que viajaram ontem para Caracas - lamentaram a decisão do venezuelano Hugo Chávez, morto na terça-feira, de fazer o tratamento contra o câncer em Cuba. Em conversas reservadas com assessores, lembraram que o Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, referência na área, estava à disposição de Chávez.

Nos últimos anos, Lula e Dilma se trataram no Sírio-Libanês. O hospital também recebeu para tratamento contra o câncer o ex-vice-presidente José Alencar, morto em 2011, e o ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo.

Em uma conversa por telefone, em julho de 2011, a presidente Dilma fez questão de oferecer a Chávez o tratamento no Sírio-Libanês. Naquele momento, Chávez tinha iniciado o tratamento em Cuba, mas, na avaliação de petistas com bom relacionamento em Havana, o sistema de saúde da ilha caribenha não era o melhor caminho. Eles avaliavam que Chávez teria a atenção especial do governo cubano, mas equipamentos hospitalares sucateados.

Logo depois do telefonema de Dilma a Chávez, o então chanceler da Venezuela e hoje presidente interino, Nicolás Maduro, esteve em Brasília para avaliar a proposta de tratamento do venezuelano no hospital.

Ao saber que Maduro iria a São Paulo para conversar com os médicos do Sírio-Libanês, Lula fez questão de se encontrar com o chanceler na capital paulista, para reforçar que o Brasil tinha melhores equipamentos e profissionais para fazer o tratamento.

Um contrato entre o governo venezuelano e o hospital chegou a ser feito. Chávez, no entanto, impôs uma série de exigências, como o sigilo absoluto durante o tratamento e o controle de entrada do hospital. À época, o Planalto disse a Maduro que não tinha como interferir nas normas do Sírio-Libanês.

Na avaliação de Dilma, de Lula e de petistas influentes, Chávez tomou uma decisão ideológica e política num momento delicado. Embora não tenham informações completas sobre o quadro clínico de Chávez no momento da decisão de continuar o tratamento em Cuba, em 2011, e sem descartar a possibilidade de uma metástase, os petistas discordaram da decisão do líder venezuelano de recorrer ao sistema de saúde de Cuba, numa confiança absoluta na recuperação e na relação com os irmãos Fidel e Raúl Castro. Os petistas lembraram que os médicos do Sírio-Libanês conseguiram prolongar a vida de José Alencar, um paciente em situação complicada.

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